Pátria reavalia interesse na Vulcabrás

Fundo ainda não desistiu de investir na fabricante de calçados, mas agravamento da crise internacional pode prejudicar o negócio

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h06

O Pátria Investimentos está reavaliando sua intenção de investir na Vulcabrás. Segundo o 'Estado' apurou, o negócio pode não vingar por conta do recrudescimento da crise internacional, que azedou o humor dos investidores e deixou os fundos de private equity mais cautelosos.

Em 8 de maio, a fabricante de calçados, que comercializa as marcas Olympikus e Azaleia, informou ao mercado que firmou um memorando de intenções com o Pátria, com o objetivo de capitalizar a empresa. O acerto permite que os dois lados negociem com exclusividade durante 90 dias. O prazo termina em agosto.

No início deste mês, as negociações estavam avançadas e a tendência era que o Pátria comprasse 40% da Vulcabrás por R$ 500 milhões. Dois terços dos recursos viriam do Blackstone, um dos maiores gestores de fundos de private equity do mundo, que há quase dois anos se tornou sócio do Pátria.

O fundo de investimento contratou uma série de auditorias e ainda está aguardando os dados definitivos, mas começou a desanimar do negócio. A decisão ainda não está tomada, mas o desânimo é provocado pela crise na Europa, que se agravou e atingiu os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Segundo fontes do setor calçadista, a Vulcabrás não foi comunicada oficialmente das dúvidas do Pátria sobre a transação. Procurados pelo Estado, os dois lados preferiram não se pronunciar e informaram que estão aguardando o fim do prazo da "due diligence".

O objetivo do aporte do Pátria era trazer alívio ao caixa da Vulcabrás, que sofre com o pesado endividamento, de cerca de R$ 1 bilhão. A empresa correu contra o tempo e equacionou suas dívidas de curto prazo, que chegavam a R$ 250 milhões.

Débitos com bancos comerciais foram substituídos por linhas de longo prazo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O controlador, Pedro Grendene, fez um aporte de R$ 100 milhões na empresa com recursos próprios.

Reestruturação. Ao amargar um prejuízo de R$ 316 milhões no ano passado, a Vulcabrás realizou um processo de reestruturação, que levou à demissão de 10 mil funcionários e ao fechamento de seis fábricas na Bahia e da linha de produção de Parobé, no Rio Grande do Sul.

No primeiro trimestre deste ano, a Vulcabrás registrou perdas de R$ 37,9 milhões, comparadas com um lucro líquido de R$ 1,36 milhão no mesmo período em 2011. Mesmo assim, alguns indicadores deixaram a gestão da companhia mais otimista.

Por conta do programa de ajuste, a margem bruta foi de 25,4%, comparada a apenas 1,6% no quarto trimestre de 2011. As despesas operacionais somaram R$ 103,5 milhões, queda de R$ 31,2 milhões em relação ao trimestre anterior. "O fato de que esses resultados tenham sido registrados num trimestre em que a atividade é normalmente mais baixa e num período no qual ainda se registraram gastos decorrentes do ajuste são uma indicação de que o potencial do nosso programa ainda não se expressa de modo completo", avaliou a empresa, ao divulgar seu resultado.

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