Patrimônio dos Bertin na física quase desapareceu

Ex-sócios nas térmicas do grupo fizeram penhora online em processo que cobra R$ 400 milhões e pouco encontraram

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h11

A situação do grupo Bertin preocupa em particular os ex-sócios na MC2, a empresa que arrematou 21 usinas térmicas em leilões de energia em 2008. Os Bertin deixaram de pagar pela parte dos ex-sócios, que adquiriram em 2010, o que alimenta uma briga judicial. Eles cobram uma indenização de quase R$ 400 milhões. "Onde está o dinheiro dos Bertin?", pergunta Guilherme Vaz, um dos advogados dos ex-sócios. "Fizemos várias tentativas de penhora online e não encontramos ativos que possam cobrir o que os meus clientes pedem."

Segundo Wendel Caleffi, diretor financeiro do Bertin, a divergência com a MC2 está sendo discutida na Justiça, mas, de fato, nas empresas que controlam o Bertin e que foram formadas para abrigar os irmãos na pessoa física, não há patrimônio expressivo. "Vendemos ativos e pagamos R$ 1,5 bilhão em dívidas nos últimos 12 meses."

A eventual falência do grupo Bertin, mencionada no processo, ocorreria por causa do atraso na construção de seis térmicas. São as que restaram das 21 vendidas em 2008. Como as obras empacaram, as autorizações de 15 foram revogadas. As seis restantes, porém, ainda não saíram do papel por causa de divergências entre Bertin e a ANEEL. A discussão virou um processo judicial.

Pelas regras do setor, por causa dos atrasos, o Bertin deveria pagar multas e comprar energia no mercado à vista para cobrir o fornecimento. Uma liminar o dispensa da despesa. Especialistas estimam que a conta, só com a compra de energia em 2014, já estaria em cerca de R$ 2,7 bilhões. Pelos cálculos do Bertin, o débito desde janeiro de 2013 seria de R$ 1 bilhão - de um jeito ou de outro, impagável. "Mas não nos preocupamos porque a probabilidade de perdermos é remota", diz Caleffi / A.S. e J.G.

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