Werther Santana/Estadão - 5/6/2020
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Antônio Penteado Mendonça
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Pau que bate em Chico não bate em Francisco

No geral, o setor de seguros terá ganhos em 2021, mas há grandes diferenças conforme o segmento

Antonio Penteado Mendonça*, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2021 | 04h00

Grosso modo, na média 2021 foi um ano bom para o setor de seguros. Longe de ser um ano extraordinário, que indique um crescimento expressivo em 2022, nele, de forma geral, as empresas do setor tiveram um desempenho razoável, provavelmente acima da média nacional.

Se tomarmos os números de 2020 para fazer a comparação, podemos falar até em crescimento robusto, mas, ao comparar com os anos anteriores ao coronavírus, especialmente os anos anteriores à crise desencadeada pelo governo do PT, o resultado será medíocre. Com certeza, hoje, não tem como se falar em dobrar o tamanho da atividade nos próximos cinco anos, como se falava naturalmente até 2019.

São duas análises diferentes, mas ambas estão corretas. Uma verifica o longo prazo e, a outra, checa a rotina. Neste momento, para as companhias, o que importa é o “pão nosso de cada dia”, como fechar o balanço no final do mês, como superar o momento complicado que o País atravessa e como se preparar para o ano que vem.

O ano que vem é outra história. Tem tudo para ser mais difícil do que este, mas, a se cumprirem as profecias econômicas, a inflação será menor, o que é boa notícia para o setor. Afinal, inflação e poupança não dão certo e a base do seguro é o mútuo, ou seja, um fundo composto pelos segurados para fazer frente aos sinistros.

Mas se o ano foi bom no todo, a realidade de cada companhia variou bastante. Tem gente ganhando muito dinheiro, tem gente ganhando dinheiro, tem quem empata e tem gente perdendo.

Claro que a gestão de cada empresa faz diferença nos respectivos resultados, mas algumas variáveis macro impactaram mais a operação de determinadas companhias, enquanto outras atingiram mais o balanço de seguradoras com outro perfil.

É o caso das seguradoras com foco em seguros de veículos. Elas tiveram desempenho positivo, com algumas ganhando muito dinheiro. A falta de veículos “zero” foi anulada pelo aumento do preço dos veículos usados, na casa de 30%, o que compensou com folga a redução dos seguros de veículos novos. E os veículos novos também estão mais caros, o que colaborou para o resultado, aumentando o valor do prêmio. 

De outro lado, seguradoras com foco em seguros de vida sofreram o impacto da pandemia no dia a dia de suas operações. Milhares de pessoas com seguros de vida morreram em função da covid-19, e as indenizações foram pagas regularmente, onerando o caixa destas companhias.

Além delas, operadoras de planos de saúde privados também estão sendo afetadas em função da covid-19. Ao longo da pandemia, os procedimentos não ligados à covid-19 ficaram represados e, agora, as pessoas estão agendando consultas, exames e tratamentos postergados. A soma da realização dos procedimentos atrasados com o movimento normal do exercício está custando caro.

Assim, não se pode dizer que, neste ano, no setor, pau que bate em Chico bate também em Francisco. Se no global o resultado foi bom, individualmente as companhias tiveram desempenhos completamente diferentes.

*SÓCIO DE PENTEADO MENDONÇA E CHAR ADVOCACIA E SECRETÁRIO-GERAL DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

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