Paul Volcker elogia governo Lula

O ex-presidente do Federal Reserve, Paul Volcker, disse hoje, em evento de comemoração de 20 anos do banco Pactual, que vê como bastante positiva a consolidação e o reforço de alguns pilares de política econômica pelo governo Lula, mas ponderou que ainda é cedo para comemorações. "É um alívio estar aqui e ver que este governo sabe o que está na mesa. As instituições foram reforçadas, a inflação caiu e o Banco Central baixou os juros mais do que esperava o mercado sem que isso provocasse qualquer tipo de dúvida em relação à sua postura", afirmou. Embora considere estes passos do governo como "grandes notícias", o ex-dirigente do BC norte-americano disse que ainda é cedo para uma comemoração. Lembrou que os juros ainda estão em patamares elevados, o crescimento do País ainda é baixo e que a percepção sobre a estabilidade de longo prazo ainda não é uma conquista efetiva. Volcker, que foi presidente do Fed no governo de Ronald Reagan nos anos 80, afirmou ainda que o País tem uma oportunidade histórica de construir as bases para o que chamou de "total credibilidade". Isso passa, segundo ele, pela manutenção da disciplina fiscal e do ajuste externo e também por três pontos que considera fundamentais: a) autonomia efetiva do BC; b) o Brasil deixar algum dia o "abrigo psicológico" do FMI, o que também depende da manutenção de políticas fortes e; c) redução do tamanho da indexação na economia.Possibilidade de deflação nos EUA é nulaO ex-presidente do Federal Reserve disse ainda que vê como nula a possibilidade de deflação na economia norte-americana. "Também existem controvérsias na política monetária e esta possibilidade é uma delas. Eu a vejo como nula", enfatizou Volcker ao explicar que a economia americana tem embutida uma clara expectativa de estabilidade de preços e uma percepção positiva em relação aos movimentos da autoridade monetária. Volcker disse também que, embora exista este ceticismo em relação à atual política monetária, há alguns sinais de retomada do aquecimento econômico. Ele não deixou de ponderar, porém, que este crescimento tende a ser gradual, e que ainda é preciso estar vigilante em relação à inflação.

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