Paulinho concorda com Fiesp sobre paralisação do consumo

"Pela primeira vez", o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, se diz obrigado a concordar com uma avaliação da diretora de Pesquisas da Fiesp, Clarisse Messer, quando ela afirmou ontem que o ritmo do consumo não acompanha a produção industrial e haverá sobra de produtos nas prateleiras. "Há um caos econômico e precisamos de uma luz no fim do túnel. Se não há consumo, a produção industrial terá que ser reduzida e isso pode gerar desemprego", analisa. "Ou o governo afrouxa um pouco a política econômica, reduz o contigenciamento de receitas e diminui o depósito compulsório para jogar algum dinheiro na economia e expandir o crédito de financiamento, ou os meses de julho e agosto serão uma loucura, com recordes seguidos de desemprego", opina. O sindicalista sustenta que o superávit primário do governo federal "está muito acima" dos valores acertados com o FMI e, por isso, há margem para o governo reativar minimamente a economia. "Por enquanto, só o presidente Lula vê espetáculo de crescimento em julho. Acho que ele está sendo enganado pela equipe do ministro Palocci", afirma. O presidente da Força avalia ainda que o contingenciamento de receitas do governo é uma das causas principais para o aumento da tensão no campo, com as invasões de fazendas e saques promovidos pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). "O MST vivia com os recursos federais no governo FHC. Foi só o Lula reter as verbas que as manifestações começaram. Se o governo liberar um pouco de recursos, esse pessoal do MST dá uma afrouxada na pressão", avalia, em tom irônico.

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