Paulínia atrai mão de obra de todo o País

Só a Replan emprega, entre diretos e indiretos, 8,6 mil trabalhadores, o equivalente a 10% da população local

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2012 | 02h09

As pousadas de Paulínia conseguem atingir lotação máxima com certa facilidade. O público, porém, não é de turistas, mas de trabalhadores das indústrias locais. Estima-se que o vai e vem de profissionais aumente em até 10% o número de habitantes da cidade - são 85.789, segundo dados de 2011 da Fundação Seade.

A Refinaria de Paulínia (Replan), inaugurada em 1972, é o empreendimento que mais atrai trabalhadores. São 1.046 empregados próprios, 1.100 contratados de rotina e 6.500 contratados de obras. Processa 415 mil barris de petróleo diariamente - cerca de 20% do refino do País.

"Paulínia é uma cidade tipicamente industrial e não deve mudar mais", diz Maria Silvia Donato Passos, gerente da Pousada Ferro e uma das pioneiras no setor hoteleiro da cidade. A pousada tem 40 quartos com capacidade para quase 90 pessoas.

Além da Replan, há outras empresas de grande porte e algumas estão em fase de instalação - a prefeitura oferece incentivos fiscais para atrair empreendimentos. Uma aposta para os próximos anos é o fortalecimento do parque tecnológico criado em 2009. Entre oito e dez empresas devem se instalar na área.

Outro empregador importante é a própria prefeitura. O salário mais baixo é de R$ 2.600. A folha de pagamento este ano deve ser de R$ 420 milhões - metade da receita prevista de R$ 840 milhões. "Nossa média salarial é muito alta. Até o cargo mais simples está incluído nessa política", diz o secretário de Planejamento, Esdras Pavan.

Com a alta remuneração, a prefeitura tenta estimular o comércio local, que tem a concorrência de Campinas. Por outro lado, o altos salários do setor público e das grandes indústrias inflacionam o rendimento e provocam disputa desleal com pequenos empresários. "Falta mão de obra qualificada. Além disso, quem tem condições de trabalhar aqui sabe que a prefeitura paga mais e não se interessa muito", diz Danila Ferrari, que administra a relojoaria criada pelo pai há 33 anos.

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