REUTERS/Remo Casilli
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Embraer anuncia mudança inesperada de CEO

Paulo Cesar de Souza e Silva assumirá o posto ocupado por Curado; transição deve ocorrer até o final deste ano

Reuters

09 Junho 2016 | 19h18

SÃO PAULO - A fabricante de jatos Embraer anunciou nesta quinta-feira, 9, uma inesperada troca no comando da companhia, que a partir de julho será presidida por Paulo Cesar de Souza e Silva no lugar de Frederico Fleury Curado.

Silva é atualmente vice-presidente para o segmento de aviação comercial, área responsável pela maior parte da receita da Embraer, e está na companhia desde 1997. Ele é formado em Economia pela Universidade Mackenzie e possui um MBA na Suíça.

Em um breve comunicado à imprensa, a Embraer disse que a transição da chefia da empresa está programada para ocorrer até o fim de 2016, apesar da transferência do cargo acontecer no mês que vem. A companhia não deu detalhes sobre os motivos da mudança.

"Após mais de 32 anos na Embraer, 22 dos quais na diretoria, estou completando um ciclo em minha carreira e passarei a me concentrar em outras atividades profissionais e pessoais. Com o Paulo (Cesar de Souza e Silva), a Embraer estará em ótimas mãos", disse Curado no comunicado.

Três analistas de mercado consultados pela Reuters disseram que não havia qualquer expectativa de mudança na presidência da Embraer neste momento.

Durante os mais de nove anos sob a presidência de Curado, a Embraer consolidou sua posição de terceira maior produtora mundial de aviões comerciais, além de ter ampliado o portfólio de produtos na aviação executiva e na área de defesa.

A empresa está desenvolvendo a segunda geração de sua família de aeronaves comerciais E-Jets e já assegurou vendas expressivas para os novos aviões. Além disso, a companhia trabalha no cargueiro KC-390, o maior avião já produzido no Brasil, do qual o cliente inicial é o governo brasileiro.

Mas a Embraer também é alvo de investigações nos Estados Unidos e no Brasil a respeito de suposto pagamento de propina para fechar a venda de aeronaves militares à República Dominicana.

Em meados de março, o The Wall Street Journal noticiou que um consultor de vendas teria dito a procuradores brasileiros acreditar que os principais executivos da empresa, incluindo o presidente-executivo Curado, sabiam dos pagamentos ilícitos.

A assessoria de imprensa da Embraer informou que "não há nenhuma correlação" das investigações nos EUA com a saída de Curado. "A transição ao longo dos próximos seis meses é um processo planejado, depois de quase uma década como presidente-executivo da companhia", acrescentou a companhia.

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