DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Guedes adia ida à CCJ e desagrada a parlamentares

Governo precisou atuar nos bastidores para evitar que ministro da Economia fosse convocado pelos representantes da oposição

Idiana Tomazelli, Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 11h27
Atualizado 26 de março de 2019 | 22h29

BRASÍLIA - Em mais um capítulo da crise na articulação do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, desistiu de última hora de comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que desagradou a parlamentares e pegou de surpresa o próprio presidente da comissão, Felipe Francischini. O governo precisou atuar nos bastidores para evitar uma convocação do ministro e conseguiu uma “segunda chance”, agora no dia 3 de abril.

Guedes enviou uma equipe técnica, representada pelo secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que nem chegou a ser ouvido pelos parlamentares. Deputados mais alinhados ao governo reconheceram que o adiamento da ida de Guedes não era o cenário ideal, mas tentaram avançar com a audiência de Marinho, sem sucesso.

Oficialmente, Guedes justificou a ausência à não indicação do relator da proposta. Quando ele tinha confirmado a participação, na semana passada, havia a expectativa de que um relator fosse escolhido na ultima sexta-feira, o que não ocorreu.

A CCJ é a primeira parada da reforma da Previdência na Câmara. O ex-presidente Michel Temer levou apenas dez dias para aprovar a admissibilidade da proposta que ele enviou em dezembro de 2016. O governo Bolsonaro enviou o texto da reforma em 20 de fevereiro e até hoje não foi escolhido o relator.

O Estado apurou que a articulação política para adiar a presença do ministro começou na segunda-feira à noite, conduzida pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também aconselhou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a não comparecer. Ele avisou Guedes que deputados de partidos do Centrão, como DEM, PP, PR, PRB, Solidariedade, haviam decidido faltar àquela sessão, que ficaria esvaziada.

O deputado argumentou que, diante desse cenário, Guedes seria alvo dos ataques da oposição, comandada pelo PT, e teria apenas o dividido PSL do presidente Jair Bolsonaro para defendê-lo. Na véspera da reunião da CCJ, o chefe do PR, Valdemar Costa Neto, chegou a telefonar para deputados do partido pedindo para que não parecessem na comissão.

“Fui pego de surpresa, não havia comunicação prévia sobre a não vinda do ministro Guedes”, afirmou o presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR). “A presença de Guedes é importante aqui. Hoje, infelizmente, não sei por quais razões Guedes cancelou. Talvez por conta do ambiente político”, afirmou. Segundo ele, “pegou mal” a justificativa de Guedes para não ir à comissão. Francischini alertou que foi firmado um segundo acordo com Guedes e que a comissão já tem tido “muita paciência” com o governo.

“Não é o ministro da Economia que diz quando virá à CCJ, mas, sim, a Câmara dos Deputados”, criticou Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição. “Tempo para palestras a quem quer que seja, Guedes tem”.

A notícia de que Guedes havia desistido de comparecer à CCJ deixou os investidores agitados. A Bolsa, que vinha subindo, desacelerou assim que a informação foi divulgada pelo Broadcast. No caminho inverso, a cotação do dólar, que vinha caindo, passou a subir.

Ao longo da tarde, os ânimos se acalmaram e o Ibovespa, principal índice da B3, fechou com alta de 1,76%, com o auxílio da Petrobrás. O dólar, porém, manteve a valorização. Terminou o dia cotado a R$ 3,8675, alta de 0,29%. /COLABORARAM VERA ROSA E RENATA AGOSTINI

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