Clauber Cleber Caetano/PR
Clauber Cleber Caetano/PR

Guedes quer que novo presidente da Petrobras trabalhe pela privatização da empresa

Ministro da Economia é contrário à concessão de subsídios para baratear preço dos combustíveis; questionado sobre o assunto, Guedes disse que 'está sem luz' sobre quem deve assumir o comando da empresa

Adriana Fernandes e Rayanderson Guerra, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 14h34
Atualizado 04 de abril de 2022 | 16h26

BRASÍLIA - De fora da indicação de Adriano Pires para a Petrobras, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido no governo que o presidente da petrolífera brasileira trabalhe para desverticalizar a cadeia produtiva do mercado de combustíveis e pela privatização da empresa. O ministro não participou da indicação da escolha de Pires, que desistiu do cargo em meio à crise em torno do conflito de interesses do seu nome para o comando da empresa, como apurou o Estadão. O Ministério de Minas e Energia, comandado por Bento Albuquerque, ainda não confirmou a desistência.

Nesta segunda-feira, 4, o ministro disse que está "sem luz" sobre quem deve assumir o comando da Petrobras após a saída do general Joaquim Silva e Luna. Ao ser questionado pela imprensa no Rio de Janeiro se já havia uma "luz" sobre o sucessor para o comando da petroleira, Guedes se esquivou e disse: "Eu estou sem luz". Guedes já havia dito na semana passada que a troca no comando da estatal não era problema dele e minimizou o impacto da demissão, na véspera, do presidente da Petrobras.

 O sucessor indicado para a presidência da Petrobras, Adriano Pires, desistiu de assumir o comando da empresa depois de o governo Bolsonaro receber informações de que o nome dele não passaria no "teste" de governança da empresa, segundo apurou o Estadão/Broadcast junto a fontes credenciadas  A desistência vem depois de o Estadão revelar que o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que Pires fosse impedido de assumir o cargo enquanto não houvesse uma investigação do governo (Controladoria-Geral da União e Comissão de Ética) e da Petrobras sobre a atuação dele no setor privado.

Guedes é contrário à concessão de subsídios para baratear o preço dos combustíveis. O ponto central dele e de integrantes da sua equipe é que, se for praticar abuso de poder corporativista, o novo comandante da empresa estaria desalinhado com as melhores políticas.

Assessores do ministro afirmam que Guedes não é contra pessoas, mas a favor de ideias. Guedes não participou da indicação de Pires, mas um dos seus auxiliares chegou a ser cogitado para a presidência da Petrobras. É o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Mario Paes de Andrade. Ele tem avaliação positiva no governo pela implantação da plataforma GovBR, mas não tem experiência na área de petróleo e gás.

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