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Paulo Leme: Brasil depende das reformas e não da crise

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sonia.racy@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Há pouquíssimas vantagens de o Brasil ter ainda uma economia fechada. No entanto, em um momento de crise aguda como este - ontem, aliás, foi o pior dia da crise até agora -, o País sofre menos do que outros emergentes de economia aberta e vinculada aos EUA. ''''Obviamente, somos afetados no curto prazo: na curva de juros, no câmbio e na economia real. Mas parte do nosso futuro não depende das subprimes ou dos EUA e sim da nossa política econômica e das reformas necessárias. Não estamos fazendo as reformas estruturais, diminuindo a carga tributária, melhorando a produtividade ou dando a devida atenção à educação. Se estivéssemos neste caminho, ele nos levaria a crescer um, dois ou três pontos do PIB, mesmo com cenário externo mais adverso'''', destaca Paulo Leme, diretor de mercados emergentes da Goldman Sachs em Nova York, lembrando que, hoje, o Brasil, superavitário nas transações correntes, faz parte da solução. ''''Somos um país doador de recursos'''', frisa.Mas o esfriamento da economia mundial não terá impactos? ''''Haverá um impacto na economia americana, aliás, já previsto pelo FMI. Mas existem outras economias crescendo no mundo, sobretudo os Brics'''', admite Leme, ponderando que as perspectivas feitas pelo fundo há duas semanas terão que ser revistas, quando se observa que até commercial papers pararam de ser emitidos. Mas acredita que a revisão de crescimento mundial não será tão grande quanto estão refletindo os mercados hoje. ''''Os bancos centrais estão atentos em não deixar que esta crise ultrapasse os limites da liquidez e eles têm os instrumentos para tanto.''''Os BCs, principalmente o Fed, não estão sendo muito conservadores? Não deveriam afrouxar a política monetária desde já? ''''A postura tanto do Fed como do BCE, dada a público, é de que não vão mexer na política monetária agora, mas, conforme o estado do paciente, podem mudar de posição. Estão atuando de forma a não dar morfina logo de cara ao doente que entrou em estado grave no hospital. Faz parte dos primeiros socorros dar uma liquidez limitada. O risco disto é uma atuação um pouco mais tardia que o desejável, mas, como todos, também eles não têm como mensurar o tamanho do problema e, portanto, estão indo mais devagar'''', explica o economista, apontando que os mercados estavam acostumados com o ''''greenspan put'''' (socorro do Fed a qualquer problema) e, ao que indica, isto mudou, talvez para induzir os mercados a serem mais seletivos com o risco.Ao dar liquidez ao sistema, é visível que os BCs estão buscando um equilíbrio entre o ''''moral hazard'''' e a possibilidade de contaminação pela crise. Leme defende, contudo, que é menos caro arriscar, entrar mais firme e, depois, ''''corrigir'''' rumos, do que o contrário. E acredita que os BCs vão fazer isto em uma segunda fase. ''''O Brasil atuou rapidamente na sua crise do sistema financeiro, entrando com o Proer. Isto nos custou 5% do PIB. O México, que levou muito tempo para acordar para sua crise financeira, acabou gastando 22% do PIB.''''O fato é que a crise de confiança tomou proporções irracionais. Tanto assim que os juros dos Treasuries bonds caíram de 4,1% ao ano para 3,4% em três dias. ''''Este sinal é claro. Os investidores querem um lugar seguro, mesmo de rendimento baixo. Querem comprar um carro, colocá-lo no estacionamento e saber que ele vai estar lá quando voltarem'''', exemplifica Leme. E este processo só vai se reverter com o tempo, depois da uma boa ''''limpeza'''' nos mercados, que só então passarão a contar mortos e feridos... NA FRENTECARDIOGRAMA Vários operadores saíram ontem do pregão das bolsas e foram direto marcar um check-up. Gente com 20 anos de mercado jamais presenciou uma volatilidade como a atual.Nem em 11 de setembro. ''''Daquela vez, não houve volatilidade, só uma queda fortíssima, diferentemente de hoje'''', suspirou ontem um operador estressado.CARDIOGRAMA 2A Bovespa bateu por duas vezes seu limite de baixa (8%) e fechou em queda de 2,25%. O Índice Dow Jones afundou, abaixo dos 300 pontos, subiu, desceu, subiu, desceu e fechou com 15 pontos de alta. O S&P fez o mesmo, caindo até 40 pontos, para fechar em alta.Boato para cá, boato para lá, vale registrar o último, que motivou a alta no fim do dia: possível venda da encrencada Bear & Sterns.FOCO DISTORCIDODados do BIS (o banco central dos bancos centrais) apontam que o estoque de contratos em aberto existentes nas bolsas de todo o mundo somava, antes da crise, US$ 87 trilhões, enquanto no mercado de balcão eles somam nada menos que US$ 415 bilhões. Segundo uma bem informada fonte, o foco do debacle financeiro mundial está concentrado nas bolsas, quando o mercado de balcão - uma grande caixa-preta - é cinco vezes maior. Alguém se habilita a regular esse mercado paralelo?CIMENTADOO Grupo Votorantim assinou carta de intenções para a compra de uma empresa de cimento na América do Norte, devendo concluir as negociações em outubro.Líder do mercado nacional, com 41% do mercado, a Votorantim já tem 35% da sua produção fora do Brasil, principalmente na região dos lagos, nos EUA.DÓLARComentava-se pelos mercados que o BC optou por atuar, ontem, por meio do BB no mercado de câmbio.10 MIL PONTOSNo dia 2 de agosto, portanto há duas semanas, o Ibovespa bateu na máxima em 54.959. Ontem, a mínima foi de 44.938.Detalhe: mesmo com o Ibovespa derretendo no começo da tarde, quando chegou a registrar queda superior a 8%, havia uma ação em alta: Aracruz (+0,46%).

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