Paulson diz que protecionismo não ajudará a resolver a crise

Para ele, nações desenvolvidas não devem adotar políticas que agravem a crise nos paises pobres

AP

12 de outubro de 2008 | 17h06

Apelando para a união global num período de crise econômica, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse este domingo que o isolacionismo e o protecionismo não são caminhos para conter os efeitos ruins da crise. Ele expressou preocupação com as conseqüências nos países pobres.   Veja  também: Começa reunião da UE para crise; França pede plano ambicioso Reino Unido vai resgatar seus 4 maiores bancos, diz jornal FMI apóia ajuda a bancos e pede ações 'audaciosas' Bolsa cai 20% em semana de pânico  Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    "Embora nós nos EUA estejamos tomando medidas extremas para conter a crise, não estamos perseguindo políticas que limitam o fluxo de bens, serviços ou de capital, porque essas medidas apenas intensificariam os riscos de uma crise mais longa", disse, em uma reunião do Banco Mundial.   Os legisladores dos EUA, enquanto isso, pediram medidas de emergência: querem que a administração Bush aposte diretamente em certos bancos com problemas e que o Congresso pense num novo plano de socorro econômico.   O Banco Mundial e o FMI têm papel principal no trabalho com os governos para desenvolver políticas apropriadas "e desencorajar políticas egoístas", disse Paulson.   Por causa da queda das bolsas, não espera-se que os países desenvolvidos ajudem 28 nações que enfrentam aumento de preço dos alimentos e de combustíveis, disse o presidente do banco, Robert Zoellick.   "Para os pobres, os prejuízos da crise podem durar para sempre", ele disse. O senador Chuck Schummer, presidente do Comitê da Junta Econômica, disse que uma proposta administrativa para injetar dinheiro federal em certos bancos, parcialmente nacionalizando o sistema bancário, "está ganhando força".   "Estou esperançoso de que amanhã [segunda-feira, 13], o Tesouro irá anunciar que farão isso. E eles farão isso rápido... Os mercados estão esperando", completou.   O presidente George W. Bush diz que sua administração está fazendo tudo que é possível para interromper a maior crise de mercados desde a grande depressão nos anos 1930.   Acompanhado de Paulson e do diretor do Federal Reserve, Ben Bernanke, Bush participou por cerca de 25 minutos da reunião neste sábado com 20 países, que inclui nações desenvolvidas e em desenvolvimento, como China, Brasil e Índia.   O presidente dos EUA reconheceu que o problema começou em seu país, mas disse aos participantes que "estamos todos juntos nessa", de acordo com um porta-voz da Casa Branca.   Os representantes no G-20 disseram que trabalhariam juntos para "superar a crise financeira, e aprofundar a cooperação para melhorar a regulação, supervisão e o funcionamento dos mercados financeiros mundiais."   Paulson também se mostrou preocupado com as conseqüências da crise nos países subdesenvolvidos. "Os acontecimentos no mercado financeiro estão tendo grande impacto em economias avançadas, e podemos esperar que a crise tenha maiores ramificações nos mercados emergentes e também nos países mais pobres", disse numa declaração. "Esses eventos irão testar a habilidade do Banco Mundial e do FMI de responder apropriadamente, e é fundamental que eles estejam prontos para direcionar seus recursos para diminuir o impacto da crise, especialmente para os mais vulneráveis."   Numa reunião neste domingo com líderes europeus, uma declaração disse que seus governos planejam garantir temporariamente futuros empréstimos entre bancos privados para abrir mercados de créditos que estavam congelados.

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