Paulson pede reunião de países ricos para discutir crise

Secretário do Tesouro dos EUA admitiu que país enfrenta 'circunstâncias difíceis' e defende ações de liquidez

Da Redação,

08 Outubro 2008 | 16h13

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, pediu nesta quarta-feira, 8, uma reunião especial dos países do G-20 - grupo formado pelos ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais das 20 maiores economias do mundo e que tem atualmente Mantega como seu presidente - para discutir a crise financeira mundial. Paulson afirmou que o país enfrenta "circunstâncias particularmente difíceis" e ressaltou que os governos devem manter as ações para prover liquidez aos mercados.   Veja também: EUA falam em novo pacote de US$ 150 bilhões Bancos anunciam compra de carteiras de crédito    Fundos perdem R$ 3,6 bilhões em quatro dias  FMI reduz previsão do PIB para 2009 Mantega convoca reunião de emergência do G-20 sobre crise Fed lidera corte global de juro e taxa cai 0,5 ponto percentual Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Crise pode trazer executivos brasileiros de volta ao País Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Entenda a crise nos EUA    "Os governos têm e devem continuar a tomar ações individuais e coletivas para proporcionar a tão necessária liquidez, fortalecer as instituições financeiras através do suprimento da tão necessitada liquidez, fortalecer as instituições financeiras através do suprimento de capital e a disposição de ativos problemáticos, evitar os abusos do mercado e proteger a poupança de nossos cidadãos", disse o secretário do Tesouro.   Paulson disse ainda que os mercados dos Estados Unidos e internacionais continuam sob "grande pressão" devido à falta de confiança nas instituições financeiras. "A causa desta situação é a falta de confiança nos ativos hipotecários, assim como em muitas das instituições financeiras proprietárias desses ativos", disse em entrevista coletiva.   Paulson expressou confiança que as recentes ações do Federal Reserve em conjunto com outros grandes bancos centrais podem ajudar a estabilizar o setor financeiro. "O anúncio de hoje de um corte coordenado nas taxas de juro, incluindo Europa, China e outras grandes economia, é um sinal bem vindo que os bancos centrais ao redor do mundo estão preparados para tomarem as medidas necessárias para dar suporte a economia global durante este momento difícil", disse o secretário em um comunicado preparado sobre as condições dos mercados financeiros.   Criado em resposta às crises financeiras do final dos anos 90, o G-20 é composto pelos Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais de 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A União Européia também faz parte do Grupo, representada pela presidência rotativa do Conselho da União Européia e pelo Banco Central Europeu.   Segundo o secretário de Tesouro, os Estados Unidos pediram o encontro do G-20. Pouco antes, o Ministério da Fazenda anunciou o encontro e disse que foi agendado para sábado, em Washington, às 18 horas (local).  No entanto, dia e hora não foram confirmados por Paulson. Mantega assumiu a Presidência do grupo este ano.  De acordo com o assessor, a reunião foi acordada entre Mantega e Paulson - que deve abrir o evento, falando sobre a crise do ponto de vista dos Estados Unidos. Também está previsto discurso de Mantega, além de uma apresentação de um representante do Ministério da Fazenda chinês. O presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles, também deve participar do evento.   Além disso, a Casa Branca informou que o presidente dos EUA, George W. Bush, telefonou nesta quarta-feira para a chanceler alemã, Angela Merkel, e para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir a situação da economia global.   "O presidente ligou para a chanceler alemã Merkel esta tarde, para discutir as várias medidas que os EUA estão tomando para estabilizar os mercados, assim como a importância de que todos os países trabalhem juntos para coordenar nossas ações para lidar com os problemas que a economia global enfrenta. O presidente também retornou um telefonema do presidente Lula sobre o mesmo assunto", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.   Programa de US$ 700 bi   O secretário norte-americano também disse que espera que um programa anunciado pelo Federal Reserve no início da semana para comprar commercial papers (dívida de curto prazo de empresas privadas) "vai melhorar significativamente a disponibilidade de financiamento para as instituições financeiras e corporações que depende do mercado de commercial papers". "Embora estejamos enfrentando circunstâncias particularmente difíceis, eu continuo confiante de que vamos superar este desafio."   Paulson disse que o Tesouro está trabalhando para implementar rapidamente o programa de US$ 700 bilhões para comprar ativos problemáticos que engessam os balanços dos bancos. "Continuaremos a coordenar com outros órgãos reguladores federais para usar aqueles instrumentos para implementar nossa estratégia para lidar com quatro desafio chaves em nossos mercados hoje: confiança, capital, risco sistêmico e liquidez", disse.   O secretário também pediu paciência, lembrando o mundo que a "turbulência não vai acabar rapidamente" e que isso significa que ainda existem desafios pela frente. "Nem a passagem daquela nova lei (do pacote de socorro para o setor financeiro), nem a implementação daquelas iniciativas vão trazer um fim imediato para as dificuldades atuais", disse Paulson. "Levará tempo e liderança bipartidária, cooperação e colaboração, assim como políticas bem concebidas e executadas para superar os desafios que nossa nação está enfrentando. E vamos superá-los." As informações são da Dow Jones.   (Suzi Katzumata, da Agência Estado)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.