Pavor com bancos ofusca Obama e Bovespa zera ganho do ano

Uma nova onda de pavor em relação à saúde de grandes bancos varreu os mercados de ações nesta terça-feira, ofuscando o ânimo com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A Bovespa seguiu a tendência mundial e enxugou os ganhos de 2009. O Ibovespa tombou 4,01 por cento, para 37.272 pontos, o menor patamar de fechamento no ano. O giro financeiro da sessão somou 2,87 bilhões de reais. O temor de que grandes grifes financeiras, como Barclays, BNP Paribas, Citigroup e Bank of America, voltem a buscar ajuda estatal para cobrir mais rombos relacionados à crise de crédito apavorou o mercado, fazendo as ações desses bancos tombarem mais de 10 por cento. O medo foi reforçado na segunda-feira, quando o Royal Bank of Scotland revelou ter fechado 2008 com um prejuízo equivalente a 41 bilhões de dólares. "O investidor agora teme que o pior momento da crise pode ainda não ter passado, como se pensava", disse Pedro Galdi, analista de investimentos da corretora SLW. Diante disso, toda a expectativa em torno do início da "era Obama" na Casa Branca, com possíveis indicações de medidas de maior impacto para combater a crise, ficou em segundo plano. Na esteira internacional, o setor financeiro puxou a fila das perdas na bolsa paulista, tendo à frente Banco do Brasil, que despencou 6,86 por cento, a 13,45 reais. Logo atrás, Itaú perdeu 6,83 por cento, a 22,64 reais. OUTRAS QUEDAS Mas o pessimismo acabou se espalhando para todo o mercado, acertando em cheio as ações de empresas de commodities, o setor de maior peso no Ibovespa. Em destaque, CSN perdeu 6,7 por cento, para 33,47 reais. Vale teve retração de 4,1 por cento, cotada a 25,30 reais. Para piorar, as ações da Aracruz desabaram 11,3 por cento, a 2,35 reais, depois de a companhia chegar a um acordo para saldar uma dívida de 2,13 bilhões de dólares com bancos, referente a perdas com derivativos cambiais. O acerto permitiu a retomada da fusão com a Votorantim Celulose e Papel, mas não comoveu o mercado. O UBS Pactual manteve recomendação de venda para as ações da Aracruz. Operadores apontaram novas saídas de recursos externos, tendência que já vinha sendo observada nas últimas sessões. O saldo das transações realizadas por investidores estrangeiros no mercado à vista inverteu o sinal, passando a acumular saída líquida de 249 milhões de reais nos primeiros 15 dias de 2009.

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