Paz em Angola abre oportunidades para o Brasil

A paz em Angola deve abrir novas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras. Esta é a opinião do embaixador do Brasil em Luanda, Jorge de Taunay Filho. Segundo ele, "Angola vai iniciar sua reconstrução, e o mundo inteiro já está de olho nas oportunidades de negócios que esse processo irá gerar, inclusive os Estados Unidos".Taunay Filho alerta, porém, que, se o Brasil não atuar rápido, vai acabar perdendo as oportunidades que se abrem para o País. Na avaliação do embaixador, o Brasil ocupa uma posição política privilegiada na sociedade angolana, que deve ser aproveitada.PrestígioO principal motivo é o fato de o Brasil ter sido primeiro a reconhecer a independência da Angola, em 1975. Brasília também foi a primeira capital que reconheceu o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) como governo legítimo de Luanda, mesmo diante da luta contra a UNITA, que era comandada por Jonas Savimbi, morto no último fim de semana.A decisão do Brasil na década de 70 gerou protestos por parte de outros países, principalmente dos Estados Unidos, mas não foi esquecida pelos angolanos. "Trata-se de um fato a que as autoridades locais se referem quase que diariamente", afirma o embaixador brasileiro.SetoresEntre as oportunidades de investimentos estão os setores de construção, petróleo, exportação de produtos agrícolas e serviços. A Sadia já entrou em contato com a representação brasileira em Luanda, para estudar formas de exportar seus produtos para o mercado angolano, e empresas como Petrobras e Furnas já estão presentes em Angola há décadas.Outra empresa brasileira em Angola é a Odebrecht, que planeja inaugurar uma das maiores hidrelétricas do país no próximo ano. "A perspectiva é que Angola passe a exportar energia elétrica para os demais países da região quando a obra estiver pronta", explica o embaixador.NegóciosAlém disso, Taunay Filho lembra que existem brasileiros que foram para Angola com o objetivo de criar seus próprios negócios. Segundo ele, todo o sistema de ônibus e de rádio-táxi de Luanda são de propriedade de empresários brasileiros que se estabeleceram no país nos últimos anos.Uma oportunidade para avaliar os interesses do Brasil na Angola ocorrerá na visita que o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, fará ao presidente Fernando Henrique Cardoso na próxima semana. Santos irá também aos Estados Unidos.

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