PCD pode contribuir para a própria integração

Em empresa, adaptações do ambiente de trabalho são feitas pontualmente, a partir dos pedidos dos contratados

O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h07

A chegada de Ana Generato, de 35 anos, à Kimberly-Clark Brasil no início do ano passado foi uma quebra de paradigmas para a companhia. Com a missão de aprimorar um programa de inclusão criado em 2006, ela se tornou a primeira cadeirante da organização, mostrando que algumas crenças envolvendo pessoas com deficiência são mitos.

"Antes havia muito, aqui, a história do 'não é possível'. A partir do momento em que as pessoas me viram na empresa, não podiam mais dizer isso, pelo menos não para mim." Esta é a primeira experiência profissional de Ana depois que ela perdeu o movimento das pernas, há três anos, fruto de uma inflamação na medula óssea.

A presença de uma cadeirante na Kimberly-Clark foi intensamente debatida antes da contratação. "Eles avaliaram durante um período se era possível ter uma pessoa como eu na empresa, até que um funcionário com deficiência disse que eu deveria dar uma opinião sobre o assunto", conta.

Apenas a colocação de um armário no banheiro feminino e a realocação de uma impressora foram necessárias para tornar o ambiente corporativo adequado para Ana, que é coordenadora do programa de inclusão Faça a Diferença. E essa simples ação - questionar os candidatos - passou a ser marca da empresa.

"Contratamos um deficiente visual. Na entrevista, a primeira coisa que lhe disse foi: 'Não temos piso tátil'. E ele respondeu: 'Não preciso'. Aqui, a pessoa diz quais são as suas necessidades."

Segundo Ana, as admissões têm como foco a integração. Por isso, a companhia se preocupa - e busca - profissionais que queiram se desenvolver. Oferecer possibilidades de desenvolvimento tem como objetivo de evitar que os contratos se sintam inferiores ou imunes às cobranças. "Na entrevista, tratamos a pessoa de igual para igual e mostramos que vamos exigir da mesma forma, claro que respeitando as limitações."

Falar abertamente sobre as deficiências é uma prática comum na Kimberly-Clark. "Se a pessoa não tem condições de falar sobre o assunto, talvez não consiga lidar com isso na rotina, porque os colegas vão perguntar", diz Ana. Com 3,5 mil funcionários, a companhia conta hoje com 129 PCDs e, em 2015, quer destinar até 10% de seu quadro para este público.

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