Valeria Goncalvez/Estadão
Valeria Goncalvez/Estadão

'PDV contempla 6,9 mil funcionários, mas não sabemos se todos vão aderir', diz presidente do Itaú

Segundo Candido Bracher, o que motivou o banco a capitanear um PDV no cenário atual é o avanço da plataforma digital

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 11h56

O programa de demissão voluntária (PDV) anunciado ontem, 29, pelo Itaú Unibanco abrange 6,9 mil funcionários, de acordo com o presidente do banco, Candido Bracher. "É difícil projetar. O último PDV fizemos há dez anos. Não temos uma base estatística para saber a taxa de adesão. Só sabemos que o público que pode optar é de cerca de 6,9 mil funcionários", disse ele, em teleconferência com a imprensa, para comentar os resultados do segundo trimestre, divulgados nesta terça, 30.

Os funcionários do Itaú podem aderir ao PDV entre os dias 1º. a 31 de agosto. Ao final de junho, o banco totalizava 98,446 mil colaboradores. Segundo Bracher, a razão que motivou o banco a capitanear um PDV no cenário atual é o avanço da plataforma digital. Ele explicou que não se trata de uma redução de funcionários, mas uma oportunidade de otimização do quadro do banco. "O Itaú tem feito diversas iniciativas digitais que têm contribuído para uma menor necessidade de mão de obra. Isso criou oportunidade de redução do quadro."

Apesar disso, o banco ainda abre mais contas nas agências físicas. Segundo Bracher, o Itaú abre 70 mil contas por mês  Nas agências o número é quase três vezes maior, acrescentando que foram abertas 1 milhão de contas nas agências e 205 mil digitais no segundo trimestre de 2019.

200 agências fechadas

Após fechar cerca de 200 agências no segundo trimestre, o Itaú segue avaliando o encerramento de mais unidades físicas, mas não prevê um número maior no segundo semestre. O movimento, conforme Bracher, é uma resposta ao comportamento do cliente da instituição e não há uma meta estabelecida.

"Temos visto o incremento da digitalização. Já abrimos mais de 1 milhão de contas no aplicativo, que passa a ter novas funcionalidades como reconhecimento facial para o financiamento de veículos, serviço de câmbio. Vários produtos têm sido digitalizados, o que tem diminuído a busca da agência pelo cliente."

Sem especificar o número de agências a ser fechado, o presidente do Itaú disse que o banco ainda tem uma "quantidade" de agências muito próximas como resultado das inúmeras fusões que a instituição fez. "Onde temos agências e uma pode comportar o fluxo de clientes da outra, vemos possibilidade de redução. Continuamos avaliando. Não temos projeção para o segundo semestre, mas não será maior", garantiu Bracher.

O Itaú encerrou junho com uma rede física de 4.722 pontos de atendimento, 212 a menos em relação a junho. O número de agências encolheu em 195 unidades na mesma base de comparação, para 3.332.

Reformas no País

As reformas estruturais em andamento colocam o Brasil em uma situação macroeconômica que Bracher nunca viu em sua carreira. Apesar disso, ele admite que "nem tudo são rosas" quando questionado, na teleconferência, sobre as desavenças políticas e falas polêmicas do presidente Jair Bolsonaro.

"As reformas têm ocorrido apesar das turbulências. É um dado, uma realidade. As reformas têm avançado", disse, acrescentando que diversos fatores contribuem para que as reformas avancem, inclusive a participação do Congresso e do governo.

O presidente do Itaú acredita que a reforma da Previdência seja aprovada na Câmara e no Senado até o final de setembro. Ele cobrou, contudo, mais medidas que simplifiquem a economia, no intuito de torná-la menos burocrática, e contribuam para que o País melhore seus níveis de produtividade.

"A questão tributária é um grande empecilho para o desenvolvimento do País. É o que faz o Brasil ter classificação tão ruim no ranking de melhores economias fazer se fazer negócios", avaliou.

Nesse sentido, o executivo afirmou que vê com bons olhos a "discussão séria" que tem ocorrido em torno da reforma tributária.

Imposto sobre transações financeiras

Bracher ainda afirmou que não é fã do imposto sobre transações financeiras, em estudo pela equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro. "Acho que é um imposto regressivo e que pune as cadeias mais longas, que têm maior quantidade de transações."

Na sua visão, o imposto sobre transações financeiras, de certa maneira, estimula a informalidade na medida que as pessoas se esforçam para evitar transações financeiras no intuito de não serem taxadas. "É o imposto do atraso", classificou o executivo.

Acrescentou ainda que o imposto sobre transações financeiras tributa tanto na origem como no destino, o que prejudica as exportações. "Imposto bom é aquele tributado no destino", rebateu.

Apesar disso, Bracher disse que o banco viverá com o imposto que for estipulado.

Guerra comercial

O cenário internacional apresenta alguns sinais de preocupação em meio à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Para Bracher, as economias mais desenvolvidas têm tido dificuldade de apresentar crescimento mais sustentado.

"Há a sombra da guerra comercial entre China e Estados Unidos, e a preocupação é que isso impacte o movimento do comércio e o crescimento da economia global seja afetado", avaliou.

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