PDVSA falha e Petrobrás poderá ganhar força no país

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Bolívia, na semana que vem, pode representar importante mudança de rumos no mercado boliviano de gás após a nacionalização. Especialistas esperam que a Petrobrás substitua a Petróleos de Venezuela (PDVSA) como principal parceira do governo Evo Morales no campo energético. Há um grande sentimento de insatisfação com a atuação da PDVSA no país, uma vez que não há ainda resultados concretos dos compromissos assumidos por Hugo Chávez em 2006.O mercado espera que a Petrobrás e a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) assinem acordo semelhante ao feito com a PDVSA, com a criação de uma companhia mista para atuar na busca de novas reservas no país.Com os venezuelanos, a YPFB criou a Petroandina, cuja missão é investir na exploração e industrialização de petróleo e gás. Até hoje, porém, nenhum projeto saiu do papel. Com a suspensão dos investimentos privados, Chávez se se apresentou como solução para a Bolívia."A Bolívia precisa urgentemente ampliar suas reservas, mas a parceria com a PDVSA não andou. Então, o governo decidiu mudar o tom com a Petrobrás", analisa o cientista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana (UCB) de La Paz, lembrando que Evo fez ainda acordo com o Irã, também sem grandes resultados. "Um acordo com o Brasil neste momento será importantíssimo", completa ele, lembrando que o país vive uma grave crise política e uma visita de Lula pode ser interpretada como sinal de apoio a Evo.A Petrobrás não antecipa os termos do acordo que deve ser firmado no dia 17. Mas fontes do setor dizem que uma empresa com controle partilhada entre as duas estatais deve ficar responsável pela busca de reservas nas principais regiões petrolíferas do país. Além disso, espera-se que a Petrobrás anuncie a retomada dos investimentos nos projetos que já têm concessão, como os campos de San Alberto e San Antonio, os maiores do país, e numa série de blocos exploratórios.Para San Antonio, já há um projeto de ampliação pronto, que pode elevar a produção em 6 milhões de metros cúbicos por dia. O investimento depende do aval dos sócios da Petrobrás - a francesa Total e a espanhola Repsol. Há, ainda, notícias sobre negociações para a Petrobrás assumir o campo de Itaú, operado pela Total, que fica próximo de San Antonio e ainda não tem produção.A Petrobrás não comenta a possibilidade de criação de empresa bilateral. Especialistas avaliam que tal iniciativa favorece a YPFB, que precisa de dinheiro e expertise para ampliar a produção. Em troca, a estatal local cede à nova empresa direitos exploratórios em áreas com bom potencial de descobertas."O movimento de reaproximação é oportuno. A crise do gás levanta preocupação com o abastecimento futuro e, mesmo com descobertas recentes, é interessante para o Brasil reforçar as relações com a Bolívia", diz o consultor Pedro Camarota, da Gas Energy.Ele lembra que, mesmo que a Petrobrás não pense em ampliar as importações da Bolívia, o país precisa de investimentos para cumprir o contrato com a estatal brasileira, que prevê a entrega de 30 milhões de metros cúbicos por dia até 2019. Isso porque, com o passar do tempo, há um declínio natural da produção em campos de petróleo e gás. A Bolívia já enfrenta dificuldades para atender todos os compromissos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.