Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Peço que levantem acampamento e sigam a vida', diz presidente da Abcam

Segundo José da Fonseca Lopes, normalização do abastecimento ocorrerá de '8 a 10 dias'; ele estima que haja 500 pontos pelo País

Fernando Nakagawa, Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 00h10

BRASÍLIA - O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, pediu que motoristas que protestam nas rodovias em todo o Brasil "levantem acampamento e sigam a vida" nesta segunda-feira, 28, após a publicação das medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer (MDB) no Diário Oficial. Para Fonseca, se as medidas forem publicadas realmente nesta segunda, a normalização do abastecimento ocorrerá "de oito a dez dias para normalizar, para fluir a oferta de carga".

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"Peço aos que estão nos mais de 500 pontos na estradas que, se amanhã todos os pontos estiverem publicados no Diário Oficial, que os companheiros levantem acampamento e sigam a vida", disse o presidente da Abcam após a reunião no Palácio do Planalto.

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Fonseca Lopes foi um dos dois líderes dos caminhoneiros que deixou a reunião na quinta-feira que resultou no primeiro acordo que não conseguiu acabar com o protesto nas ruas.

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Segundo o presidente da Abcam, o presidente Temer se comprometeu a publicar na segunda no Diário Oficial da União as três medidas provisórias anunciadas mais cedo.

Questionado sobre como assegura a saída dos caminhoneiros das estradas, Fonseca disse que a "decisão depende dos motoristas".

"Mas quero fazer um apelo a todo mundo que segurou o movimento até agora", disse. "Ele sabe que chegou o momento de ele fazer isso", completou, ao lembrar que o acordo firmado no domingo foi maior que o pedido, já que terá a redução de R$ 0,46 por litro de diesel por 60 dias e outras ações, como a tão esperada tabela de preço para o frete.

Resistência 

Mesmo com o anúncio do Planalto de editar três medidas provisórias para atender às demandas da categoria, o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos (Sindtac) de Ijuí-RS, Carlos Alberto Litti Dahmer, acredita que ainda haverá resistência de cerca de 10% dos caminhoneiros.

"Não é uma pauta econômica, é a pauta política. Para esses, que têm uma posição muito mais extremista, esse acordo ou qualquer acordo não ia funcionar, porque a intenção não é de resolver o problema da categoria. É de criar o caos, a instabilidade, e aí esses evidentemente vão nos criticar muito fortemente por conta disso", apontou Dahmer. "É o melhor acordo do mundo? Não, não é. Temos muitas pautas ainda a tratar com o governo. No entanto, isso aqui com conquistas históricas é o que dá, é o que vai fazer e o que vai desmobilizar com toda a certeza", completou Dahmer. 

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