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Pecuária investe e MSD prevê crescer mais no País

No ano passado, a receita alcançou R$ 1 bilhão, sendo 60% apenas na área de ruminantes

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2019 | 05h00

A norte-americana MSD Saúde Animal vê um leque de oportunidades no Brasil, onde espera crescer dois dígitos em 2019. No ano passado, a receita alcançou R$ 1 bilhão, sendo 60% apenas na área de ruminantes. Depois de adquirir a Vallée em 2017 e arrumar a casa no último ano, para incorporar a nova estrutura, a equipe da MSD volta agora a arregaçar as mangas. “Temos o desafio de chegar aos 2 milhões de fazendas de pecuária existentes no Brasil”, diz Delair Bolis, o novo presidente da empresa no País. A ideia é trabalhar os pontos fortes das duas empresas, que são vacinas e antiparasitários. “Na questão sanitária, identificamos que o criador de gado está cada vez mais focado na prevenção de doenças, em vez do tratamento.” O plano da MSD Saúde Animal é atingir, em 2022, R$ 1,6 bilhão em faturamento no Brasil. Além do atual portfólio, inovações vêm por aí.

Expansão

Aquisições continuam no radar da MSD. “Há um grupo olhando para isso nos Estados Unidos e no Brasil”, afirma Delair Bolis. A compra mais recente, da Vallée, foi um negócio de US$ 400 milhões (em torno de R$ 1,29 bilhão). O mercado brasileiro é o segundo mais importante para a empresa, atrás apenas do norte-americano. 

Multilateral

Representantes da Aliança Internacional do Milho (Maizall), que reúne produtores de Brasil, Argentina e Estados Unidos, têm encontro nesta segunda-feira em Genebra com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo. Os três países são responsáveis por 70% da exportação mundial de milho e vão reforçar a importância de se promover o livre comércio e do investimento em biotecnologia, além de apoiar a agenda do embaixador brasileiro no comando da entidade.

Capacidade máxima

A Bunge Açúcar & Bioenergia destinou ao etanol na atual temporada uma quantidade recorde de cana-de-açúcar. A produção do biocombustível absorveu 70% de toda a matéria-prima processada nas usinas da empresa na safra 2018/2019. Historicamente, a participação da cana no etanol produzido pela Bunge é de 65%. Na temporada passada, havia sido de 62%. A rentabilidade maior do biocombustível em relação ao açúcar neste ciclo explica a prioridade dada ao etanol. 

Deslanchar é preciso

O governo percebeu que a regulamentação da política nacional de biocombustíveis, o Renovabio, é mais complexa do que se imaginava. Técnicos do Ministério das Minas e Energia e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) vão se reunir na quinta-feira (17) para discutir como destravar o processo. A ideia é finalizar o plano até 10 de fevereiro. Criado há um ano, o RenovaBio fomenta o uso de biocombustíveis no País para a redução de poluentes.

Nada mal

O enfraquecimento do dólar ante o real não é necessariamente uma má notícia para o agronegócio, forte exportador. O sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, disse que se a moeda norte-americana se mantiver em patamar inferior ao do ano passado o aumento projetado de 7% do custo de produção em real na safra 2019/20 pode não se confirmar. Isso anima sobretudo os agricultores do Cerrado, que estão negociando insumos para a próxima safra.

Mais do mesmo

O principal fator para aumento dos custo de produção no Brasil são os defensivos, que encareceram com o fechamento de fábricas na China – desde o ano passado, o país asiático tenta reduzir a poluição. A valorização do insumo, entretanto, pode ser compensada por um real fortalecido, já que a maioria dos defensivos e fertilizantes usada no País é importada. “A grande incógnita do ano será o câmbio”, diz Pessôa, da Agroconsult.

Depende

Os preços internacionais do café só devem subir de forma significativa se produtores mundiais reduzirem a oferta na safra 2018/2019 em pelo menos 12 milhões de sacas, estima a diretoria de Agronegócio do Itaú BBA. Por causa da alta produção, as cotações caíram aproximadamente 24% no último ano e há pouco espaço para reação expressiva no curto prazo.

Deu onda

Em 2019, o País receberá missão da União Europeia para discutir a retirada do embargo às importações de pescados, imposto em dezembro de 2017. Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, antes do embargo, as vendas de pele de tilápia para o bloco rendiam R$ 20 milhões. Há também a intenção de expandir os embarques do peixe inteiro e em filés ao mercado dos EUA, maior consumidor do produto. “O dólar acima de R$ 3,60 contribui para tornar a exportação mais atrativa”, diz. 

Mais água

Para avançar no exterior, a Peixe BR diz que precisa elevar o volume de pescado produzido no Brasil e isso só será possível mediante a liberação do uso das águas da União, pleiteada na última semana junto ao novo secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif. Segundo a associação, existem 2.812 processos de licitação parados no governo e, com a aprovação, é possível chegar a 3 milhões de toneladas/ano em produção, quantidade quatro vezes maior que a atual.  

 

COLABORARAM LETICIA PAKULSKI e NAYARA FIGUEIREDO

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