Pecuaristas de MS distribuem carne em protesto

Pecuaristas do Pantanal de Mato Grosso do Sul distribuíram nesta terça-feira três mil quilos de carne bovina na cidade de Corumbá. De graça, o produto entregue em bandejas de isopor pesando um quilo cada, deu apenas para a metade das pelo menos seis mil pessoas que formaram uma longa fila em volta do quarteirão central da cidade, onde está instalada uma agência do Banco do Brasil. Joelmir Arruda Xavier, 14 anos, foi o número um e chegou ao local às 2h30. Ele disse morar com os pais e mais três irmãos, lamentando que "lá em casa quando não é verdura ou legume no arroz com feijão, é ovo frito".O presidente do sindicato rural de Corumbá, Emílio Miranda de Barros, explicou que o acontecimento é uma demonstração de protesto contra os maus tratos que o governo federal aplica sobre os produtores. Em 48 dos 78 municípios de Mato Grosso do Sul ocorreu algum tipo de manifestação do gênero e a região sul do Estado foi a mais prejudicada com sucessivos bloqueios de rodovias federais, estaduais, fechamento de agências fazendárias e passeatas.Em Três Lagoas, na divisa com o Estado de São Paulo, a Polícia Rodoviária Federal proibiu ruralistas de interditar a BR-262, na entrada da cidade. Os patrulheiros conseguiram que os manifestantes retirassem as barreiras da estrada, feitas com caminhões e utilitários. Isso depois de muitos gritos e empurrões entre as duas partes.Maior A maior delas aconteceu em Campo Grande, aonde os produtores rurais chegaram pela manhã montados em 400 cavalos e levando na frente uma tropa de 50 burros, sem montaria. Também máquinas agrícolas, caminhões, utilitários, automóveis e motocicletas faziam parte da movimentação que congestionou o centro da cidade. "O Brasil é o paraíso do especulador e a cova do produtor", gritavam em coro, enquanto subiam a Avenida Afonso Pena, em direção ao Parque dos Poderes, centro político-administrativo do Estado.No encerramento, ocorrido às 12 horas na Praça Ary Coelho, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, Laucídio Coelho Neto, afirmou que as perdas da pecuária e agricultura significam R$ 3 bilhões que deixaram de circular na economia do Estado este ano. "Um bilhão de reais anunciado pelo governo para sustentar o preço da soja é piada", referindo-se ao pacote de recursos anunciados pelo governo federal, no último dia 12, que serão usados pela Companhia Nacional de Abastecimento em operações de PROP (Prêmio de Risco de Opção Privada).Forte baque Para o diretor secretário da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul, Ademar Silva Júnior, o campo sofreu um forte baque com redução de preços dos produtos, quebra de safra e por fim a ocorrência de febre aftosa em Mundo Novo, Japorã e Eldorado, em outubro do ano passado. Ele afirmou que os protestos poderão ser mais intensos na medida da demora de alguma sinalização favorável aos produtores.O presidente do sindicato da Indústria de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul, Ivo Scarcelli, afirmou que recomenda aos associados da entidade a paralisação dos abates de animais, visando a redução drástica de carne para consumo humano no mercado.

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