Pedágios de rodovias federais entrarão em vigor com reajuste

'Quando começar a cobrança, tarifa vai sofrer reajuste do IPCA', explicou superintendente da ANTT

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

10 de outubro de 2007 | 19h47

As tarifas de pedágios acertadas no leilão de rodovias da terça-feira entrarão em vigor em julho de 2008 já com reajuste. Segundo o superintendente de exploração de infra-estrutura da ANTT, Carlos Serman, os custos negociados estão referenciados a julho de 2007. "Quando começar a cobrança do pedágio, a tarifa vai sofrer reajuste do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) dos últimos 12 meses", explicou. Veja também:  Ouça entrevista com o vice-presidente executivo da Abdib Leilão de rodovias melhora imagem do País, diz BernardoGrupos espanhóis oferecem menor pedágio e levam 6 das 7 rodoviasEspecial: a concessão de rodovias federais   No trecho da Rodovia Fernão Dias que liga São Paulo a Belo Horizonte, por exemplo, o preço do pedágio oferecido pela espanhola OHL, vencedora do lote, foi de R$ 0,997. Considerando a taxa do IPCA acumulada em 12 meses até setembro, de 4,15%, a tarifa a ser cobrada no ano que vem seria de R$ 1,038. No caso da Régis Bittencourt (entre SP e Curitiba), a tarifa passaria de R$ 1,364 para R$ 1,42. Segundo Serman, as praças de pedágio só entram em operação quando as concessionárias responsáveis pelas rodovias terminarem os trabalhos iniciais nos trechos. Eles incluem as obras emergenciais para que haja uma "situação mínima de conforto e segurança" para o motorista e levam cerca de seis meses.  Para que esses trabalhos comecem, porém, é necessário que as empresas que arremataram os lotes criem concessionárias. Só assim é possível assinar os contratos de concessão, o que, de acordo com a previsão de Serman, deve acontecer em janeiro do próximo ano.  Diferenças Mesmo com o reajuste, os pedágios das rodovias federais ainda serão muito menores do que as tarifas cobradas atualmente nas rodovias do Estado de São Paulo. Para viajar da capital para Ribeirão Preto, por exemplo, o motorista gasta cerca de R$ 36 e percorre 313 quilômetros. Pela Fernão Dias, o trajeto de 586 quilômetros até Belo Horizonte custará aproximadamente R$ 8. Serman explica que essa discrepância se dá pela diferença nos modelos de concessão das rodovias. No caso das federais, vencia o leilão quem oferecesse a menor tarifa de pedágio. No processo de privatização das estatais, o governo do Estado estabeleceu o custo dos pedágios, e vencia quem fizesse a melhor outorga (oferta). Essa outorga era utilizada para recuperar estradas que não podiam ser pedagiadas por causa do baixo movimento. O vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Ralph Lima Terra, explica que essas diferenças nos modelos se deve por algumas mudanças na economia do País. Segundo ele, quando a concessão das estatais foi feita, há 12 anos, as condições macroeconômicas do País eram "substancialmente diferentes". "Hoje temos uma situação em que os principais investidores enxergam o Brasil com outra ótica, a economia crescendo em taxas significativas e com isso há uma outra expectativa em torno desses investimentos", explicou.  Além disso, de acordo com ele, a concessão das rodovias estatais foi a primeira experiência do Brasil na área de concessão do serviço público. "Hoje o País já tem uma experiência consistente no assunto", afirmou.

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