Pedido de concordata da WorldCom não surpreende analistas

O anúncio de concordata pela WorldCom não surpreendeu os analistas do setor de telecomunicações em Wall Street. "Não deve haver um impacto forte nos preços das ações do setor, pois o ´Chapter 11´ (concordata) já estava totalmente precificado", disse a analista de telecomunicações para América Latina do Morgan Stanley, Vera Rossi, à Agência Estado. Na opinião do analista de telecomunicações do banco UBS Warburg, Patrick Foulis, há somente dois cenários possíveis para a WorldCom. "O primeiro seria a empresa fechar totalmente, deixando todo o processo de falência para ser decidido na Justiça. O segundo cenário seria a compra dos ativos da WorldCom por outras empresas ou investidores. Acho que esta opção seria mais provável", explicou.EmbratelEle considera que os ativos norte-americanos são os mais prováveis de serem adquiridos. "Há muita especulação de que as operadoras locais norte-americanas, como a SBC e a BellSouth, possam comprar os ativos da WorldCom nos Estados Unidos", disse. Mas para os ativos na América Latina, como a Embratel, Foulis disse que a perspectiva de a Embratel ser comprada é zero. "Como a experiência nos Estados Unidos provou, uma operadora de longa distância, sem uma presença como operadora local, é um caminho para a falência ou quase-falência. Exemplos disso são os modelos de negócios fracassados da Sprint e, obviamente, WorldCom", explicou.Para Vera Rossi, do Morgan Stanley, uma eventual compra da Embratel não estaria totalmente descartada. "Tudo depende do fator preço", ressaltou. Em termos das operações da WorldCom, o analista de telecomunicações da Merrill Lynch, Adam Quinton, acredita que a empresa poderá continuar operando normalmente apesar da entrada no processo de concordata. "Ao contrário de outros fracassos de empresas de telecomunicações, a WorldCom tem uma forte base de receitas recorrentes", explicou Quinton. Segundo ele, como resultado da concordata, a Justiça suspendeu o pagamento pela WorldCom de cerca de US$ 2 bilhões em juros anualizados da dívida.

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