Pedido uruguaio de reabertura de fronteiras é negado

A Corte Internacional de Justiça de Haia rejeitou nesta terça-feira por 14 votos a favor e um contra o pedido do Uruguai para que o governo argentino ponha fim às interrupções do trânsito das pontes internacionais que ligam os dois países na cidade de Entre Ríos.Habitantes da localidade argentina de Gualeguaychú manterão o bloqueio em protesto contra a construção de uma fábrica de celulose nesse país. Mais do que isso, os "assembleístas", que há mais de dois meses interrompem de forma permanente um dos três acessos à fronteira, colocaram a pedra fundamental nas obras dos refúgios que lhes permitirão manter o bloqueio quando o rígido inverno chegar. "Nós seguimos sustentando a necessidade de levantar os boqueios porque esta é uma medida ilegal", afirmou o secretário da chancelaria uruguaia, Jose Luis Cancela. O diplomata afirma que seu governo "aceita e respeita" a decisão da Corte, que afirmou que os bloqueios não provocam "danos irreparáveis" aos países.Em reuniões, ocorridas em dezembro, os dois países discutiram sobre a instalação da fábrica de celulose da finlandesa Botsia às margens do rio Uruguai. O governo uruguaio argumentou que os bloqueios nas pontes divide as nações e ferem o "direito" de cosntrução da fábrica.BrigaA finlandesa Botnia e a espanhola Ence transformaram-se ao longo do ano de 2005 e 2006 no pivô do maior conflito diplomático entre Argentina e Uruguai desde 1955.Em novembro, a Botnia recebeu crédito de US$ 170 milhões do Banco Mundial (Bird), maior investimento privado da história do Uruguai, para que a empresa conclua a construção da fábrica de celulose no município uruguaio de Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai, que separa o país da Argentina.Enquanto o governo do presidente Néstor Kirchner recorreu à Corte Internacional de Haia e ao Banco Mundial para impedir a construção, os habitantes de Gualegaychú, a maior cidade argentina da fronteira, reuniram-se em uma ativa Assembléia Popular e decidiram bloquear as passagens a qualquer custo para que as obras da fábrica não prossigam.Os moradores da cidade argentina, a 240 quilômetros de Buenos Aires, argumentam que a fábrica vai poluir o rio, afetando a saúde e a economia. O Uruguai afirma ter estudos provando que a obra não contaminará o rio.O governo do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, argumenta que as cancelas ferem o princípio de livre circulação de mercadorias e pessoas no Mercosul. No entanto, o governo Kirchner alega que o direito de exercer a expressão e o protesto é hierarquicamente superior ao de livre circulação.Desde o início do ano Tabaré Vázquez pede que o Mercosul sirva de mediador para a crise. O governo argentino opõe-se a discutir o caso em uma mesa multilateral e afirma tratar-se de um assunto bilateral.Na semana passada, a Espanha se retirou da posição de mediadora, onde se mantinha há pouco mais de um mês.Ainda esta semana, o Uruguai deve assinar um Acordo Marco de Comércio e Investimentos, conhecido como Tifa (Trade and Investment Framework Agreement), com os Estados Unidos. O acordo prevê amplo leque de tarifas e impostos além de garantias para investimentos.Com Ariel Palacios

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