Daniel Teixeira/Estadão
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coluna

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Pedidos de recuperação judicial terão salto em meio ao coronavírus

Expectativa, segundo especialistas, é que medida comece a tomar força na metade do ano

Aline Bronzati e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 05h00

Os próximos meses devem ser acompanhados de um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial por conta da crise que veio a reboque da covid-19. Com expectativa de gerar estragos maiores que o da Operação Lava Jato, a pandemia deve causar crescimento de 50% por parte de empresas que já estavam em situação financeira difícil, de acordo com cálculos da consultoria ARM Gestão.

No setor de construção, a carioca João Fortes e a paulista Esser, enquanto de transportes a também carioca Expresso Pégaso, puxaram a fila dos pedidos de recuperação judicial em meio à crise. A lista, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, deve começar a ganhar força a partir do meio do ano, de acordo com especialistas, já que as várias medidas para dar liquidez ao sistema bancário e empresarial e para aliviar gargalos no setor produtivo ainda estão sendo implementadas. Dessa forma, as empresas que tinham caixa, ainda fazem contas, reavaliam suas operações, renegociam contratos antes de dar o próximo passo.

Além disso, existe um período de 30 a 90 dias para a organização dos documentos necessários para a entrega de um pedido de recuperação judicial, lembra o sócio da ARM Gestão, Marcus Vasconcellos. Várias empresas não tinham isso nos planos e terão de recorrer ao plano B em meio à crise. A expectativa é que o número de pedidos de recuperação judicial causados pela crise vai impactar os números de julho, agosto e setembro, acrescenta o sócio Rogério Furtado.

O sócio da consultoria Alvarez& Marsal, Leonardo Coelho, nota que a curva de pedidos começa a crescer entre 60 a 100 dias após o pico da crise do vírus. Estima-se cerca de 400 pedidos de recuperação judicial em agosto, e, aproximadamente, 150 por mês em setembro, outubro e novembro, prevê. Coelho acredita que o número caia em dezembro, voltando a crescer a partir de janeiro de 2021. O cálculo da A&M é de que do patamar de cerca de 1,4 mil pedidos, haja um salto para 2,1 mil casos em 12 meses, superando o pico de outubro de 2016, de 1,872 mil registros de pedidos de recuperação judicial.

'Plano B'

A curva de pedidos está achatada por conta do caixa que as empresas tinham, pelas medidas de incentivo do governo federal e pelo alongamento - forçado ou negociado - do contas a pagar, mas os números devem subir em razão do empobrecimento de famílias, Estado e empresas, pondera.

Dentre os setores mais impactados, estão o de transportes, varejo de moda e de eletrodoméstico, e shopping centers. Boa parte das empresas desses setores viu seu faturamento despencar de 80% a 90% com as medidas de isolamento. Nos casos mais extremos, a receita se reduziu a zero.

Por ora, as empresas que estão recorrendo ao processo de recuperação judicial em meio à pandemia já tinham preparado o plano B. Na ARM, que atua junto a empresas com faturamento anual de R$ 100 milhões a R$ 1 bilhão, as solicitações cresceram 50% frente ao número visto nos três primeiros meses deste ano e devem contribuir para o aumento dos casos nos próximos meses.

O ambiente ficou mais propício para a recuperação judicial, que no Brasil é vista de forma negativa, ficou estigmatizada. Mas, na verdade, a recuperação judicial tem de ser vista como uma parada estratégica, diz Vasconcellos, da ARM.

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