Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pedro Fernando Nery estreia coluna semanal no ‘Estado’

Economista, coautor de livro sobre a reforma da Previdência, pretende discutir as mudanças previdenciária e tributária que estão no Congresso

Redação, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2019 | 05h00

O economista Pedro Fernando Nery estreia amanhã como colunista do “Estadão”. Sua coluna será publicada semanalmente, às terças-feiras, e abordará a agenda de reformas que está em debate em Brasília. “A ideia é discutir as propostas apresentadas para as reformas, como a da Previdência e a tributária, e as controvérsias em relação a elas”, diz.

 Nery acrescenta que as colunas devem mesclar economia e direito, já que as reformas farão alterações profundas na Constituição. “Embora se fale muito da Constituição como obstáculo para as reformas, ela (a Constituição) colocou objetivos econômicos, como a redução da desigualdade. Vamos tratar desses temas. Fundamentalmente, será uma coluna sobre crescimento econômico.”

Autor do livro Reforma da Previdência – Por que o Brasil não Pode Esperar?, escrito em parceria com o economista Paulo Tafner, Nery afirma que a reforma já está atrasada quando se compara a outras propostas. “Nem a do Fernando Henrique Cardoso nem a do Lula ficaram tanto tempo quanto esta ficou na Comissão de Constituição e Justiça.” 

Para ele, caso o texto aprovado no Congresso gere uma economia inferior a R$ 700 bilhões em dez anos, a incerteza em relação à solvência do País pode prejudicar a retomada do investimento privado. “Uma reforma de R$ 700 bilhões já provocaria a necessidade de se discutir uma nova reforma, de repente no mandato do próximo presidente.”

Por outro lado, o economia destaca que há uma certa obsessão do governo Jair Bolsonaro com o R$ 1 trilhão. “Esse número é importante apenas nos primeiros anos, para se obedecer o teto dos gatos. Mas, se a reforma resolver a solvência do Estado, pose ser um valor inferior a isso”, acrescenta.

Em relação ao projeto do ministro da Economia, Paulo Guedes, de se implementar uma previdência de capitalização (em que cada trabalhador poupa para sua própria aposentadoria em uma conta individual), Nery vê com desconfiança a capacidade de o País aguentar o déficit fiscal gerado nos primeiros anos de adoção do sistema. “A questão da trajetória da dívida brasileira (que está em 77% do PIB) é muito sensível.”

Segundo ele, seria mais fácil uma implementação para trabalhadores com renda mais elevada, e havendo também uma contribuição do empregador. “Existe uma crítica a esse modelo porque ele pode resultar em uma baixa poupança (que servirá como benefício após a aposentadoria do trabalhador).”

Nery é bacharel, mestre e doutor em economia pela Universidade de Brasília (UnB) e atua como consultor legislativo do Senado para economia do trabalho, renda e Previdência, além de ser professor no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.