Sem Guimarães na Caixa, Bolsonaro perde um grande sócio na corrida pela reeleição; leia análise

Demitido da Caixa Econômica após denúncias de assédio, executivo era chamado em Brasília de 'PG2', em referência a Paulo Guedes

Adriana Fernandes - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Pedro Guimarães, o presidente demitido da Caixa Econômica por assédio sexual, era chamado em Brasília de PG2. Foi nomeado pelo PG1, o ministro da Economia, Paulo Guedes, com a chancela de promover a “porteira fechada” nos bancos públicos. Na época, isso significava “sem interferência política”.  Era o começo do governo de um presidente que proclamava ter sido eleito para enterrar a velha política.

O PG2 não fugia desse receituário inicial bolsonarista. Vindo do mercado financeiro, Guimarães se portava com prepotência e ar de superioridade em relação aos agentes públicos.  

Na grande sala onde se instalou no QG da transição, do Centro Cultural do Banco do Brasil, se dizia perseguido pelos políticos, integrantes do mercado e pela mídia por ser genro de Léo Pinheiro, ex-executivo da empreiteira OAS, condenado por pagar propinas na operação Lava Jato. Era comum nas conversas cair em prantos, situação que sempre deixava desconfortáveis os seus interlocutores.

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Sem provas, prometeu “devassa” nas contas da Caixa, justamente após uma gestão de conselho de administração que empreendeu esforços gigantescos para recuperar as finanças do banco e construir regras sólidas de governança e avaliações de riscos nas políticas de crédito do banco.

O presidente Jair Bolsonaro e Pedro Guimarães, em solenidade em 2020; o fim de uma parceira após denúncia de assédio contra o ex-presidente da Caixa Foto: Dida Sampaio/Estadão - 03/12/2020

Chegou a falar de forma preconceituosa como se todos os políticos, especialmente os prefeitos, fossem corruptos. No início, se recusou a receber os parlamentares, o que gerou embaraços nas discussões da reforma da Previdência.

Na primeira grande polêmica no cargo, reduziu descaradamente a concessão de novos empréstimos para o Nordeste, reduto tradicional da oposição. Depois de reportagem do Estadão que mostrava com números do próprio banco o que estava acontecendo, acabou recuando.

Após esse episódio, a chave virou. Ficou cada vez mais próximo do presidente e do mundo político da velha política. Passou a fazer viagens, lives ao lado do presidente e apoiar políticas públicas para o banco na contramão do receituário liberal do PG1, seu chefe imediato na hierarquia do governo.

No início da pandemia da covid-19, se aliou de vez ao núcleo palaciano e às lideranças do Centrão que fritavam Guedes.  Frequentava todas as listas dos prováveis substitutos do ministro. Em certo momento, chegou a espalhar dentro da Caixa que ficaria com o cargo.

Não conseguiu. Mas à frente do banco com o maior número de clientes e com imensa capilaridade depois da concessão do auxílio emergencial, era um grande sócio do presidente na corrida pela reeleição.

Caiu porque funcionárias corajosas enfrentaram o medo e denunciaram o assédio. Alçada à presidência da Caixa, Daniella Marques não poderá fugir da missão de fazer uma limpa no banco daqueles que compactuaram e abafaram as denúncias por tanto tempo.

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Demitido da Caixa Econômica após denúncias de assédio, executivo era chamado em Brasília de 'PG2', em referência a Paulo Guedes

Adriana Fernandes - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Pedro Guimarães, o presidente demitido da Caixa Econômica por assédio sexual, era chamado em Brasília de PG2. Foi nomeado pelo PG1, o ministro da Economia, Paulo Guedes, com a chancela de promover a “porteira fechada” nos bancos públicos. Na época, isso significava “sem interferência política”.  Era o começo do governo de um presidente que proclamava ter sido eleito para enterrar a velha política.

O PG2 não fugia desse receituário inicial bolsonarista. Vindo do mercado financeiro, Guimarães se portava com prepotência e ar de superioridade em relação aos agentes públicos.  

Na grande sala onde se instalou no QG da transição, do Centro Cultural do Banco do Brasil, se dizia perseguido pelos políticos, integrantes do mercado e pela mídia por ser genro de Léo Pinheiro, ex-executivo da empreiteira OAS, condenado por pagar propinas na operação Lava Jato. Era comum nas conversas cair em prantos, situação que sempre deixava desconfortáveis os seus interlocutores.

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Sem provas, prometeu “devassa” nas contas da Caixa, justamente após uma gestão de conselho de administração que empreendeu esforços gigantescos para recuperar as finanças do banco e construir regras sólidas de governança e avaliações de riscos nas políticas de crédito do banco.

O presidente Jair Bolsonaro e Pedro Guimarães, em solenidade em 2020; o fim de uma parceira após denúncia de assédio contra o ex-presidente da Caixa Foto: Dida Sampaio/Estadão - 03/12/2020

Chegou a falar de forma preconceituosa como se todos os políticos, especialmente os prefeitos, fossem corruptos. No início, se recusou a receber os parlamentares, o que gerou embaraços nas discussões da reforma da Previdência.

Na primeira grande polêmica no cargo, reduziu descaradamente a concessão de novos empréstimos para o Nordeste, reduto tradicional da oposição. Depois de reportagem do Estadão que mostrava com números do próprio banco o que estava acontecendo, acabou recuando.

Após esse episódio, a chave virou. Ficou cada vez mais próximo do presidente e do mundo político da velha política. Passou a fazer viagens, lives ao lado do presidente e apoiar políticas públicas para o banco na contramão do receituário liberal do PG1, seu chefe imediato na hierarquia do governo.

No início da pandemia da covid-19, se aliou de vez ao núcleo palaciano e às lideranças do Centrão que fritavam Guedes.  Frequentava todas as listas dos prováveis substitutos do ministro. Em certo momento, chegou a espalhar dentro da Caixa que ficaria com o cargo.

Não conseguiu. Mas à frente do banco com o maior número de clientes e com imensa capilaridade depois da concessão do auxílio emergencial, era um grande sócio do presidente na corrida pela reeleição.

Caiu porque funcionárias corajosas enfrentaram o medo e denunciaram o assédio. Alçada à presidência da Caixa, Daniella Marques não poderá fugir da missão de fazer uma limpa no banco daqueles que compactuaram e abafaram as denúncias por tanto tempo.

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