Pedro Parente, ex-ministro de FHC, será o novo presidente da Petrobrás

Pedro Parente, ex-ministro de FHC, será o novo presidente da Petrobrás

Executivo vai substituir Aldemir Bendine e diz que não haverá indicação política para cargos na estatal

Gustavo Porto, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 18h26
Atualizado 19 de maio de 2016 | 21h41

A Presidência da República confirmou nesta quinta-feira, 19, o nome de Pedro Parente como o novo presidente da Petrobrás. Parente aceitou o cargo em reunião com o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e substituirá Aldemir Bendine, que assumiu o comando da estatal em fevereiro do ano passado em meio a um escândalo de corrupção. Em entrevista após a indicação, Parente afirmou que não haverá indicação política para cargos na Petrobrás.

"Foi uma orientação clara do presidente Michel Temer. Sou claro e taxativo nesse ponto: não haverá indicação política na Petrobrás", disse. "Sem indicações políticas, facilitou muito minha decisão", emendou.

Parente citou a intenção de ter uma diretoria estritamente profissional e disse ainda que terá liberdade para indicar nomes para os cargos, mas evitou falar em escolhas. "Eu posso manter e posso tirar diretores. Isso é uma prerrogativa e uma iniciativa do presidente executivo da Petrobrás", disse o ex-ministro.

Ele lembrou, no entanto, que a Petrobrás "tem conselho de administração e diretoria executiva atuantes" e elogiou o trabalho feito por Aldemir Bendine, a quem substituirá no cargo. Indagado se poderia contar com uma capitalização do Tesouro para socorrer a companhia, Parente evitou avançar no assunto, mas alertou: "Quem tem última palavra para capitalização é acionista controlador, o governo."

Segundo ele, a posse na presidência e a transição feita com Bendine só serão definidas após a reunião do conselho de administração da companhia, sem data marcada ainda

Parente, que também é presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, disse que manifestou a Temer o desejo de continuar no comando da Bolsa, mas que reconhece a possibilidade de ter que deixar o cargo. "Se houver conflito de interesse obviamente terei que me afastar. Se não houver conflito eu gostaria de continuar", disse.

Bendine foi comunicado da confirmação do novo executivo por Temer nesta tarde. Ambos já tinham conversado em outras ocasiões sobre a transição, e Bendine chegou a cogitar a renunciar ao cargo para facilitar o trâmite da mudança.

Currículo. Parente é atualmente presidente do conselho de administração da BM&FBovespa. Ele iniciou a carreira no setor público no Banco do Brasil, em 1971. Dois anos depois, foi transferido para o Banco Central (BC). Parente foi ainda consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de instituições públicas brasileiras, bem como da Assembleia Nacional Constituinte, em 1988.

Ele foi ministro durante todo o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). Ocupou a Casa Civil até 2001 e, depois, o Planejamento. Após deixar o governo, de 2003 até 2009 foi vice-presidente Executivo (COO) do Grupo RBS. De janeiro de 2010 a abril de 2014 presidiu a Bunge Brasil e ainda o conselho da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) entre 2011 e 2014.

Parente também é membro dos conselhos da SBR-Global e do Grupo ABC, do qual é presidente, além de ser sócio-diretor do grupo de empresas Prada de consultoria e assessoria financeira.

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