Wilton Junior/Estadão
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Pedro Parente negocia com MPF e CGU acordo de leniência da BRF

Entre os fatos que precisarão ser explicados está o funcionamento de um esquema de pagamento de propinas para fiscais do Ministério da Agricultura

Nayara Figueiredo, Cynthia Decloedt e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 17h40

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A companhia de alimentos BRF está em fase inicial de negociação de um acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU). Pedro Parente, presidente da empresa, teria atuado pessoalmente em sondagens com a CGU, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

Uma fonte próxima à BRF informou que "é de interesse máximo da administração colaborar com as investigações feitas pelas autoridades e esclarecer todos os fatos apontados pelo relatório", em referência ao documento final da Operação Trapaça, concluído pela Polícia Federal na última segunda-feira (15). Desdobramento da Carne Fraca, a investigação apura fraudes que teriam sido cometidas por funcionários e executivos da empresa. Ao todo, a PF indiciou 43 pessoas, dentre elas o empresário Abilio Diniz, ex-presidente do conselho de administração da BRF, e Pedro Faria, ex-presidente executivo global.

Entre os fatos que precisarão ser explicados em um eventual acordo está o funcionamento de um esquema de pagamento de propinas para fiscais do Ministério da Agricultura, em troca de facilitar seus mercados interno e externo de carnes, citado pela PF no relatório final.

A decisão de formalizar a leniência vai em linha com o direcionamento da atual gestão, que, segundo comunicado enviado pela BRF na segunda-feira, "é de tolerância zero com qualquer tipo de conduta indevida". Em resposta à medida da PF, a empresa decidiu afastar preventivamente todos os funcionários citados no relatório "até o esclarecimento dos fatos".

A BRF também chegou a ressaltar que mantinha conversas "de forma ampla e transparente" com os investigadores e que vai continuar com as iniciativas internas lideradas pelo Comitê Independente de Investigação. "A companhia entende que este processo de cooperação constante com as autoridades fortalece e consolida as mudanças e aprimoramentos que a empresa implementou em seus processos e regramentos internos, com o objetivo de garantir os mais elevados padrões de segurança, integridade e qualidade".

Questionada sobre o acordo de leniência, a BRF afirmou que não comentará o assunto. Em nota, a CGU afirmou que, "em virtude do sigilo imposto pela Lei Anticorrupção (n° 12.846/2013), não se manifesta sobre nomes de empresas, existência ou não de acordos de leniência, possíveis termos, bem como detalhes de eventuais negociações em curso". Procurados, o MPF do Paraná e a PGR também disseram que não comentariam este tipo de tratativa

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