P&G vai ampliar em 50% os lançamentos

Novo presidente da P&G Brasil, Alberto Carvalho, planeja agilizar a vinda de produtos globais para o País e lançar mais de 200 itens em um ano

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h08

O executivo Alberto Carvalho assumiu a presidência da P&G no Brasil em dezembro de 2012 com uma missão: trazer os produtos mais inovadores do portfólio global da empresa para o País. A meta de Carvalho é lançar 200 novos produtos no Brasil em um ano a partir de julho - um volume 50% superior ao lançado nos 12 meses anteriores.

"O consumidor brasileiro está mais exigente e merece o melhor produto que temos no mundo", explicou Carvalho ontem, em sua primeira entrevista como CEO da P&G Brasil, multinacional americana dona de 24 marcas no País como Pantene, Ariel, Gilette e Pampers.

A inovação é a aposta de Carvalho para manter a expansão da P&G no Brasil nos próximos anos. A empresa não abre o faturamento no País, mas diz que cresceu 23% ao ano nos últimos dez anos no Brasil. Apenas no segmento de beleza e cuidados pessoais, sua participação de mercado saltou de irrisórios 0,9% para 9,2% entre 2003 e 2012, segundo dados da consultoria Euromonitor.

Mesmo com a desaceleração da economia brasileira, o presidente da P&G diz que é possível manter o ritmo de expansão. "Ainda existem muitas oportunidades no Brasil. O consumo ainda cresce acima do PIB e existe uma demanda latente por produtos inovadores, principalmente na classe C", disse.

Carvalho é o primeiro executivo brasileiro a comandar a operação da P&G no Brasil. Ele entrou na empresa como analista de marketing na área de cabelos em 1991, mas passou os últimos 16 anos no exterior como executivo de outras subsidiárias da P&G, antes de assumir, aos 47 anos, o comando da operação brasileira.

Quando saiu do País, o mercado brasileiro tinha posição secundária na agenda de inovação da P&G. "Os produtos chegavam aqui muito depois. A empresa era uma gigante lá fora, mas aqui no Brasil era praticamente desconhecida", lembra.

Esse descompasso entre os lançamentos no exterior e no Brasil ainda existe, mas vem diminuindo. O sabão para lavar roupas Ariel líquido, por exemplo, chegou ao País em 2008, cerca de 30 anos depois do lançamento global. Já a fita de clareamento dentário Oral-B 3D White foi lançada no fim do ano passado no País, quatro anos depois do varejo internacional. A linha de cosméticos Pantene Expert chegou aos supermercados americanos em janeiro e estará no Brasil em julho. "Queremos reduzir esse 'delay' ao máximo e, se possível, a zero", diz Carvalho.

Corrida. A P&G não está sozinha na corrida por lançamentos no Brasil. Sua principal rival, a Unilever, pretende renovar em 75% o portfólio de suas 30 marcas vendidas no País, com novos produtos e embalagens.

O esforço das empresas em inovar visa atender uma demanda cada vez maior por produtos mais sofisticados de consumidores de todas as classes sociais. "A classe C prioriza mais o benefício do produto do que o preço na decisão de compra", disse a sócia-diretora da consultoria Plano CDE, Luciana Aguiar.

O reforço dos lançamentos também deve levar as empresas de bens de consumo a aumentar capacidade de produção no Brasil. A Unilever anunciou neste ano a construção de sua décima fábrica no Brasil em Aguaí (SP), que deverá estar pronta em 2015. Já a P&G está com as suas seis fábricas em fase de expansão e deve anunciar novos projetos de ampliação do parque fabril este ano. / COLABOROU FERNANDO SCHELLER

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