Pela 1ª vez, empresários estão pessimistas com exportações

A sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje, mostra que os empresários esperam redução de suas exportações para os próximos seis meses, fato inédito em toda a série histórica da CNI. O indicador ficou em 45,1 pontos na pesquisa e é o menor valor já registrado pela Confederação.O resultado, segundo o documento, é mais homogêneo que na pesquisa relativa ao segundo trimestre. Na última sondagem, oito setores entre os 17 pesquisados esperavam redução nas exportações. Na pesquisa de hoje, esse número subiu para 14 setores. O coordenador da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, destacou que a taxa de câmbio é o principal problema apontado pelas grandes empresas exportadoras. Isso porque, neste cenário, os produtos brasileiros ficam mais caros e, portanto, menos competitivos.Os números mostram: metade das 204 empresas de grande porte ouvidas assinalou a taxa de câmbio como um problema, o segundo item mais apontado neste grupo. Mas, tomando-se por base apenas as grandes empresas exportadoras, 59% delas destacaram a taxa de câmbio como principal problema.Para as empresas de pequeno e médio porte, apenas 18% destacaram a valorização do real como principal problema. Mas, entre as pequenas e médias exportadoras, esse porcentual subiu para 42%.Pessimismo quase generalizado A indústria também está pessimista quanto ao mercado de trabalho. A sondagem industrial revela que os empresários mostraram que deve haver novas perdas de empregos no setor nos próximos seis meses. O índice caiu pela quinta vez consecutiva. As empresas também não prevêem aumento de compras de matérias-primas nos próximos seis meses. O indicador recuou de 52,4 pontos para 50,5 pontos, o menor valor desde outubro de 2001, e a quinta desaceleração consecutiva. Os empresários também mostraram-se pouco otimistas quanto ao faturamento e não esperam um aumento significativo nos próximos seis meses.Cenário geralContudo, em um cenário mais amplo - economia brasileira, o setor de atividade e a própria empresa - as expectativas para os próximos seis meses mostraram recuperação em relação às pesquisas do segundo trimestre do ano. O indicador sobre as expectativas para a economia brasileira passou de 48,5 pontos para 52,0 pontos.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2005 | 12h23

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