Maira Vieira/Estadão
Maira Vieira/Estadão

Pela 1ª vez, mercado vê inflação acima do teto da meta em 2015

Segundo o Relatório Focus, IPCA deve encerrar o ano que vem em 6,54%, ficando assim acima do teto da meta do governo, de 6,5%

Economia & Negócios

22 Dezembro 2014 | 08h47

BRASÍLIA - Pela primeira vez, o mercado passou a acreditar que a inflação irá estourar o teto da meta do governo, de 6,5%. Segundo o relatório Focus, os analistas estimam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) irá ser de 6,54% em 2015. Na semana anterior, a estimativa estava em 6,50% e há um mês, em 6,45%.

A meta do governo para a inflação é de 4,5%, com variações para cima ou para baixo de dois pontos porcentuais. Até agora, o mercado havia estimado o IPCA acima de 6,5% para 2014, mas para 2015 ainda projetava a inflação no máximo encostando no teto. O novo governo, anunciado no fim de novembro, promete cortar gastos públicos, mas a notícia parece não ter sido suficiente para mudar as projeções. Joaquim Levy, conhecido como "mãos de tesoura", assumirá o Ministério da Fazenda no ano que vem.

Já a mediana das projeções para o IPCA de 2014 ficou estacionada em 6,38%. Há um mês, a taxa mediana para esse indicador estava em 6,43%. 

Crescimento. Na reta final do ano, o Relatório de Mercado Focus revelou que a expectativa para o crescimento do País está em 0,13% contra projeção do documento anterior de alta de 0,16% e a de um mês atrás, de 0,20%. A perspectiva dos analistas é de que haverá retomada da atividade no ano que vem, mas com menor força, já que a taxa passou de 0,69% da semana anterior para 0,55% agora. Quatro semanas antes, porém, a projeção para 2015 estava em 0,80%.

A produção industrial segue como o principal setor responsável pelas previsões para o PIB deste e do ano que vem. No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de queda de 2,50% este ano - idêntica à da semana passada. Há quatro semanas, estava em -2,30%. Para 2015, o crescimento desse segmento deve ser de 1,02% ante 1,13% do levantamento anterior e de 1,30% de um mês atrás.

Os economistas também ajustaram suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor bruto e o PIB. Para 2014, a mediana passou de 35,90% da semana passada para 35,80% agora - estava em 35,85% um mês atrás. Já para 2015, a mediana das previsões saiu de 37% para 36,90%. Quatro semanas antes estava em 36,00%. 

Juro. Com a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central marcada para meados do mês que vem, o mercado manteve a estimativa de que a Selic subirá mais 0,75 ponto porcentual até o fim de dezembro de 2015. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a mediana das previsões para a taxa básica de juros no período seguiu em 12,50%.

Dólar. Após a garantia do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que continuará com a ração diária ao mercado por meio de leilões de swap cambial, a mediana das estimativas para o dólar no fim deste ano está em R$ 2,65. Na semana passada, o ponto central da pesquisa apontava uma cotação de R$ 2,60 e, há um mês, de R$ 2,55.

No boletim, a projeção mediana para o câmbio médio deste ano permaneceu em R$ 2,36 como no levantamento anterior, nível levemente maior do que a cotação apontada um mês antes, de R$ 2,35. 

Já para 2015, a cotação subiu de R$ 2,72 para R$ 2,75 de uma semana para outra - um mês antes estava em R$ 2,65. A mediana das expectativas para o dólar médio do ano que vem subiu de R$ 2,65 para R$ 2,69 agora. No levantamento de um mês atrás estava em R$ 2,60. (Com informações da Agência Estado)

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