André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Pela 20ª semana seguida, economistas aumentam estimativa de inflação em 2021, agora para 7,27%

A projeção para o IPCA se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de alta de 5,25%

Eduardo Rodrigues , O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 10h25

BRASÍLIA - A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC). Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, de alta de 7,11% para 7,27%. Trata-se da 20ª alta seguida.

Há um mês, a estimativa estava em 6,79%. A projeção para o índice em 2022 passou de 3,93% para 3,95%. Quatro semanas atrás, estava em 3,81%. As projeções para o IPCA continuaram em 3,25% para 2023 e em 3,00% para 2024. 

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Para 2024, a meta é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).  

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" a Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Para o controle da alta de preços, o mercado estima que o BC vai continuar subindo a taxa básica de juros em 2021. Segundo o boletim Focus, a mediana das previsões para a Selic neste ano está em 7,5% ao ano. Hoje, a taxa básica de juros está em 5,25% ao ano, depois de um aumento de 1 ponto porcentual neste mês. 

Para 2023, a projeção é que a taxa básica de juros fique em 6,5%, mesmo patamar previsto para 2024.

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de crescimento de 5,27 para 5,22%. 

No começo do ano, o mercado previa que a atividade econômica iria crescer 3,4%. A economia, no entanto, tem mostrado reação nos últimos meses, influenciada, entre outros motivos, pela alta dos preços das commodities - produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados no mercado internacional em dólar.

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