André Dusek/Estadão
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Mercado vê inflação abaixo de 7% em 2016

Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne essa semana para decidir a nova taxa de juros, atualmente em 14,25%; mercado espera Selic em 13,25% no fim do ano

Bernardo Caram e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2016 | 10h07

BRASÍLIA - Analistas do mercado financeiro esperam que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique abaixo de 7% no fim de 2016, segundo as projeções divulgadas nesta segunda-feira, 25, no Relatório de Mercado Focus do Banco Central (BC). Agora, a taxa está em 6,98%, ante 7,08% da semana passada e 7,31% quatro semanas atrás.

Ainda assim, a estimativa continua acima do teto da meta estabelecido pelo governo, de 6,5%. O BC já vem informando que vai focar não mais 2016, mas em 2017 a tarefa de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%. No caso do ano que vem, a mediana caiu de 5,93% para 5,80%. Há quatro semanas estava em 6,00%.

No Top 5 de 2016, o ponto central da pesquisa ficou em 7,05%, contra 7,06% da última semana. Há quatro semanas, essa mediana estava em 7,18%. Para 2017, o grupo dos analistas que costumam acertar mais as estimativas revisou a perspectiva para o IPCA de 6,20% na última semana para 6,00%. Há quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 6,20%.

A mediana das previsões para o IPCA de 2016 no Relatório de Mercado Focus caiu 0,59 ponto porcentual entre a véspera da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 2 de março, e hoje. O próximo encontro do colegiado está previsto para ocorrer entre amanhã e quarta-feira, dia em que será anunciada a decisão sobre a Selic. As estimativas do grupo Top 5 despencaram mais de 1 ponto porcentual nesse mesmo período.

Desde julho do ano passado, a taxa básica de juros Selic está em 14,25% ao ano. A partir de novembro, o Copom passou a votar pela manutenção da taxa, mas com dissenso. Dois de seus oito membros gostariam de ter visto elevação dos juros básicos da economia desde a ocasião. Um dos principais argumentos é justamente a expectativa dos analistas de mercado para a inflação ainda elevada. Pelo último Relatório Trimestral de Inflação, a estimativa do BC para o IPCA deste ano é de uma alta de 6,6% pelo cenário de referência e de 6,9% pelo de mercado.

Selic. O mercado financeiro revisou as expectativas para a taxa básica de juros da economia para este ano. O Relatório de Mercado Focus projeta que a taxa básica de juros encerrará 2016 em 13,25% ao ano. Na semana passada, a estimativa estava em 13,38%. Há quatro semanas, ficou em 14,25%. Para o ano que vem, o mercado espera que a taxa Selic termine o ano em 12,00% ao ano, ante taxa de 12,25% apontada na última semana - há quatro documentos estava em 12,50%.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 ficou mantida em 13,38%. Um mês atrás, a mediana das projeções estava em 14,25%. Já para 2017, a previsão é que a taxa encerre o ano em 12,25%, mesmo valor do último documento - há quatro semanas estava em 12,00%.

Crescimento econômico. Os analistas do mercado também revisaram mais uma vez suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 para baixo. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 3,80% para 3,88%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -3,66%.

No Relatório Trimestral de Inflação divulgado em março, o BC revisou de -1,9% para -3,5% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

Para 2017, a previsão de crescimento do PIB teve uma leve melhora, de 0,20% para 0,30% - um mês antes, a expectativa era de alta de 0,35%.

Já a mediana das expectativas para a produção industrial de 2016 ficou mantida em -5,80% - um mês antes estava em -4,40%. Para 2017, passou de um crescimento de 0,69% para 0,54%. Há quatro semanas, estava em 0,85%.

No caso da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2016, a projeção dos analistas passou de 41,40% para 41,80% - quatro edições antes estava em 41,10%. Para 2017, a taxa passou de 46,35% para 46,39% - um mês antes estava em 45,90%. 

Para o câmbio, o mercado manteve a estimativa para este ano em R$ 3,80, mesmo valor estimado no levantamento da semana passada. Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4,15. Para o fim de 2017, a mediana das estimativas para o dólar ficou mantida em R$ 4,00 - há um mês, estava em R$ 4,20.

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