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Pela primeira vez, a Argentina dá o calote ao FMI

A Argentina decidiu hoje não pagar uma dívida de US$ 2,9 bilhões que tinha com o FMI. O governo do presidente Néstor Kirchner - que esperou até o último minuto - decidiu não pagar porque não recebeu sinais positivos, por parte do Fundo, de que a carta de intenções remetida pelo governo na semana passada à Washington, seria recomendada para aprovação na reunião que a diretoria do organismo internacional realizará na sexta-feira.Pagar teria implicado em comprometer quase 25% das reservas do Banco Central, sem garantia alguma de que o acordo poderia ser fechado. O chefe do gabinete de ministros, Alberto Fernández, disse que a Argentina tem "vocação" de pagar, mas, sem usar as reservas.Pontos polêmicosApesar do calote, as negociações entre o governo argentino e o FMI continuarão ao longo dos próximos dias. No entanto, ambos lados estão irredutíveis em uma série de pontos, impedindo o consenso. A Argentina afirma que a meta de superávit fiscal para 2004 não pode ultrapassar mais de 3%, sob o risco de interromper a leve recuperação econômica do país. Mas, o FMI quer uma meta de 3,5%, com aumentos nos anos 2005 e 2006. Enquanto o FMI pressiona para a liberação das tarifas de serviços públicos privatizados, o governo Kirchner se recusa a sair - por enquanto - do congelamento de tarifas em vigência desde janeiro do ano passado. Além disso, também existem divergências sobre a compensação dos bancos por causa da desvalorização da moeda. De quebra, o FMI pretende que os vencimentos de dívidas que em programas financeiros anteriores coincidiam com desembolsos do Fundo à Argentina, passariam a ser fora de sincronia. A Argentina teria que pagar primeiro, e só depois o FMI daria o dinheiro.ProblemasSem o pagamento, o país não terá problemas de forma imediata. As complicações reais começam daqui a um mês, quando o FMI notificará o governo argentino sobre o atraso no pagamento. Junto com isso, ficariam bloqueadas as entregas de empréstimos concedidos pelo Banco Mundial e o Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID). Entre 60 e 90 dias depois do depois do calote, todos os créditos de organismos internacionais à Argentina ficam suspensos. Se não houver pagamento, um ano depois do default o país é declarado como "impossibilitado" de receber empréstimos. Um ano e meio após o calote, a Argentina fica sem direito a voto no FMI. Meio ano depois disto, o organismo inicia a cobrança compulsiva da dívida.

Agencia Estado,

09 de setembro de 2003 | 18h35

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