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''''Pela primeira vez, investidor se preocupa com o País''''

O governo conseguiu deixar o mercado doméstico com preocupações até então inexistentes e isso deve manter o dólar em alta por mais algum tempo, avalia o economista-sênior do banco Dresdner Kleinwort em Nova York, Nuno Camara."Pela primeira vez este ano, vemos o investidor preocupado em relação ao Brasil. Há dúvida se haverá uma guinada na condução da economia", diz o economista. Segundo ele, a alta do dólar decorre do aumento da remessa de lucros e dividendos, à realização de lucros e à "grande aversão a risco". Essa aversão seria causada pela preocupação com a economia dos Estados Unidos e às notícias no Brasil sobre a criação de um fundo soberano e a possibilidade de maior intervenção no câmbio. Para Camara, a criação do fundo "não é uma notícia boa", pois não está sendo criado a partir de superávit nominal. Ele ressaltou que também há muita incerteza de como será o fundo e se o Banco Central fará parte de todo o processo."O fundo é uma mensagem negativa para as agências de risco e pode atrasar o grau de investimento", disse Camara. Segundo ele, até a notícia de criação do fundo soberano mudar o cenário, o Dresdner apostava que a melhora da nota do Brasil para grau de investimento poderia vir ainda no fim deste ano.Para o economista, a aversão ao risco deve continuar nas próximas semanas e, basicamente, a percepção de risco do Brasil vai depender dos sinais do governo. "O que até há pouco tempo era um cenário mais seguro, mesmo com a crise de hipotecas nos Estados Unidos, hoje é de incertezas", disse Camara."É importante que o arcabouço institucional no País, principalmente no Banco Central, permaneça intacto. Isso poderia causar a venda de ativos do Brasil muito grande, principalmente numa época de grande aversão a risco, que é o que deve ocorrer nas próximas semanas", afirmou.Para Camara, fatos recentes, como a substituição de diretores e exclusão de alguns economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram um cenário diferente no Brasil do que se tinha até pouco tempo. "O que a gente vê, de um modo geral, que vai além do Ipea, é que houve mudanças nas diretrizes da política econômica, com ênfase mais desenvolvimentista, que cria necessidade de gastos maior", disse.Ainda assim, ele mantém projeção de R$ 1,70 para o dólar no fim do ano.

Luciana Xavier e João Caminoto, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 00h00

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