Pela terceira vez, em 24 horas, Kirchner ataca a Shell

Pela terceira vez em 24 horas, o presidente Néstor Kirchner desferiu duras críticas contra a empresa de combustíveis Shell. Nesta sexta-feira, "Terminéstor", como é chamado em seus momentos de fúria (em alusão ao temperamental andróide Terminator, personagem do filme homônimo do ator Arnold Schwarzenegger), citando uma pesquisa realizada pela revista americana "Multinational Monitor", sustentou que a Shell foi, em 2002, "uma das 10 piores empresas do mundo". Kirchner disse que a Shell, entre vários motivos, aparecia neste ranking pela poluição que suas instalações geravam em todo o mundo.Ontem ao meio-dia, durante um discurso a alunos do primeiro grau, Kirchner convocou um inesperado "boicote nacional" contra a Shell, a qual acusou de "não colaborar com a recuperação econômica argentina" por ter implementado, no início da semana, aumentos de 2,6% a 4,2% dos preços do óleo diesel e da gasolina.Horas depois do primeiro ataque, durante um comício no fim da noite na cidade de Posadas, Kirchner voltou a criticar a empresa, acusando-a de ser uma "espertinha". O presidente pediu aos argentinos que não comprem mais gasolina nos postos da Shell.Nesta sexta-feira, o presidente argentino afirmou que seu governo deseja que "muitos investimentos" venham para a Argentina. Mas, destacou que "só queremos que venham a de maior prestígio". Segundo Kirchner, seu governo não pretende prejudicar as pequenas empresas que administram a maioria dos postos da Shell. "Se elas quiserem, poderão ter as licenças da Enarsa e da PDVSA".Apesar da sugestão do presidente, a Enarsa, uma empresa estatal recém-criada, praticamente ainda não saiu do papel. A PDVSA, a mega-estatal petrolífera venezuelana, coincidentemente já expressou publicamente seu interesse em adquirir os postos da Shell na Argentina.

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