Pelo segundo dia, bolsas asiáticas fecham em forte queda

Baixa em Tóquio foi de 5,64% e em Xangai chegou a 7,22%; governo japonês decide não intervir no mercado

Agências internacionais,

22 de janeiro de 2008 | 05h54

As bolsas asiáticas amargaram fortes quedas nesta terça-feira, 22, aterrorizadas pelo risco de recessão nos Estados Unidos. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 5,64%. Já o Topix caiu (5,70%), seu registro mais baixo desde 9 de outubro de 2005. A Bolsa de Xangai fechou em queda de 7,22%.  Veja também:Bolsa de Tóquio fecha em queda de 5,64%Bolsas asiáticas abrem em forte quedaBolsa cai 6,6% e tem o pior pregão desde fevereiro de 2007A ordem para investidores é manter sangue-frio Em 21 dias, Bolsa perde R$ 344,9 bilhõesEntenda a ameaça de recessão nos EUA   Os mercados asiáticos já tinham passado por uma jornada negra na segunda-feira, afetando as bolsas européias que amargaram as maiores perdas desde o 11 de setembro de 2001. O índice geral da Bolsa de Xangai fechou com uma forte queda de 7,22%, a maior desde 4 de junho, enquanto a de Shenzhen caiu 7,06%. O volume de negócios conjunto das duas bolsas somou 232 bilhões de iuanes (US$ 32,057 bilhões), acima dos 199,8 bilhões de iuanes (US$ 27,599 bilhões) registrados na segunda-feira, um aumento que reflete a intensa atividade do pregão. A queda registrada pelo índice Kospi da Bolsa de Seul foi de 74,54 pontos (4,43%), para 1.609,02. O índice de valores tecnológicos desabou 37,07 pontos (5,69%) aos 614,80. É a sexta maior queda do Kospi em toda sua história. Apesar disso, o principal índice sul-coreano recuperou no fechamento os 1.600 pontos, após ter ficado abaixo dessa barreira psicológica durante a sessão pela primeira vez em oito meses. A Bolsa de Mumbai foi suspensa durante uma hora devido à forte queda registrada pelo índice Sensex, que caiu 1.716 pontos (9,75%) em apenas uma hora de pregão. O Sensex, que reúne as 30 companhias com maior valor de mercado da Índia, se encontra congelado nas 15.888 unidades, apenas 12 dias depois de superar os 21.000 pontos. Governo japonês Apesar da queda da Bolsa de Tóquio e da valorização do iene perante o dólar, vários ministros japoneses afirmaram que o governo não vai intervir no mercado. Estas declarações reiteraram a idéia expressada pelo primeiro-ministro, Yasuo Fukuda, que afirmou há uma semana que, apesar do pânico na Bolsa de Valores, a economia real goza de boa saúde. A economia japonesa sofre uma alta dependência do setor exportador, com grandes empresas eletrônicas e automobilísticas que são muito influenciadas pelo valor das divisas. O vice-ministro porta-voz, Matsushige Ono, assegurou que o governo espera que a economia continue se recuperando, mas acrescentou que acompanhará de perto os eventos nos mercados, porque as mudanças rápidas poderiam "afetar negativamente a economia". Bovespa A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi arrastada pelo tombo das bolsas européias na segunda-feira. No final do dia, a Bovespa fechou com queda de 6,6%, em 53.709 pontos. Nível mais baixo desde 27 de fevereiro de 2007. A saída de recursos do mercado de ações no Brasil já alcança R$ 3,5 bilhões em 2008. Com os mercados fechados nos EUA - devido ao feriado Martin Luther King Jr. -, o ambiente na Europa se deteriorou com as preocupações sobre as seguradoras de bônus, especialmente a ACA Capital, Ambac e MBIA. Essas companhias vendem seguros contra perdas no mercado de dívidas para as instituições financeiras. Contudo, essas seguradoras podem estar com problemas financeiros para pagar estes seguros. Nesta segunda, o Merrill Lynch, por exemplo, anunciou baixas contábeis devido aos problemas de possível insolvência da ACA. Desde sexta-feira, correm pelas mesas de operações da Europa rumores de que alguns bancos poderiam anunciar novas perdas, entre eles o Société Générale e o UBS. "Com os problemas nas seguradoras de bônus, é razoável imaginar que mais prejuízos possam acontecer", avalia uma analista.  O WestLB já informou que espera anunciar prejuízo líquido próximo de 1 bilhão de euros (US$ 1,44 bilhão) referente a 2007.

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