Pendências de Lavagna, antes de fechar acordo com FMI

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, ainda tem muitas pendências para resolver antes de fechar o acordo com o FMI. Não é só a falta de um programa monetário consistente o que está faltando e sendo exigido pelo Fundo. Nem todas as províncias aderiram ao pacto que reduz o déficit fiscal em 60% e freia a emissão das "quase moedas" (bônus provinciais) que já acumulam um terço de moeda em circulação no país. Até o momento, foram emitidos 6,825 bilhões de pesos em forma de bônus provinciais que são usados em toda a Argentina como moeda paralela. Esta cifra representa nada menos que 33% da circulação monetária. Segundo o levantamento feito pela consultoria Economia e Regiones, do economista Rogelio Frigerio, o circulante em poder do público, entre dinheiro vivo e papéis das províncias, gira em torno de 20,718 bilhões de pesos. Deste montante, 67% (13,893 bilhões) corresponde a pesos-moeda e o restante, 33%, a títulos como: Lecop/União (3.300 bi); Patacon/Buenos Aires (1.886 bi); Lecor/Córdoba (667 milhões); Federales/Entre Ríos (167 milhões); Bocanfor/Formosa (100 milhões); Quebracho/Chaco (100 milhões), dentre outros.Por outro lado, o saldo em pesos acumulado em contas correntes e poupanças é de 21.554 bilhões, dos quais, pelo menos 6,5 bilhões poderiam ser liberados do "corralito", conforme medida defendida pela comissão de notáveis e pelo Banco Central. Com isso, o circulante monetário subiria para 28.200 bilhões de pesos. A consultoria adverte para o risco de se ter tanta moeda em circulação, dizendo que "este excesso de dinheiro poderá pressionar o dólar".DepósitosO governo acredita que desta vez o decreto presidencial que freia a sangria dos depósitos será apoiado pela Corte Suprema de Justiça, que havia declarado inconstitucional outra semelhante iniciativa do presidente Eduardo Duhalde. As projeções do ministério de Economia para a saída de depósitos até o final do ano são dramáticas para o sistema financeiro argentino: 16 bilhões de pesos. O objetivo do decreto é, mais que nada, o de ganhar tempo, bem precioso para a administração de Eduardo Duhalde. O decreto proíbe qualquer sentença favorável aos depositantes por um período de 120 dias, prazo suficiente para que o governo, junto com o FMI e a comissão de notáveis, encontrem uma solução para o "corralito" para a crise no sistema financeiro. A esperança de Lavagna é de que, com o aval da Corte Suprema , possa lançar um novo plano de troca de bônus, os chamados Boden, por depósitos. O ministério de Economia acredita que o depositante optará pela troca ao ver-se sem saída para reaver seu dinheiro, já que por meio da justiça não haverá possibilidade. Para a equipe econômica, "a única forma de acabar com a goteira dos depósitos é através da justiça e é com este aval que teremos uma base sólida para desenhar o programa monetário sério, colocando-nos em posição favorável à um entendimento final com o FMI", disse uma alta fonte do ministério de Economia à Agência Estado.Por enquanto, Lavagna ainda está ganhando a batalha contra Aldo Pignanelli, presidente do BC argentino, que defende o bônus compulsório. Na equipe econômica não se fala na palavra ?compulsório?, e a fonte esclarece que o novo plano bônus "será totalmente voluntário, como o anterior e contaremos com uma adesão muito maior, baseada na falta de perspectiva do depositante de que ele não terá a justiça para reaver o dinheiro do corralito". O primeiro sinal de que o Executivo receberá o aval do Judiciário foi dado pelos juízes de primeira instância, do Juizado do Contencioso Administrativo, ao decidir suspender todas as sentenças em vias de execução a favor dos depositantes.

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