''Pensava que no estado nunca chovia''

Foi numa pequena reportagem publicada numa revista setorial que o paranaense Luiz Quirino Peteck descobriu o potencial do que seria a nova fronteira agrícola do País, hoje conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Depois de ler a matéria, ele e seus quatro irmãos decidiram fazer as malas para conhecer esse Brasil distante.

, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Primeiro foram para Balsas, no Maranhão, e depois visitaram o Tocantins, mas não encontraram nada muito empolgante. Faltava passar pelo território piauiense antes de voltar ao Sul. "Quase desisti. Era muito resistente à ideia de ter negócios no Piauí. Minha visão era que no Estado nunca chovia e só tinha bode."

Depois de uma semana na região, ele começou a mudar de opinião e percebeu que as terras tinham condição e custo-benefício melhor que as do Maranhão. Passou mais 40 dias levantando dados sobre as oportunidades de negócios e trouxe o pai para ter o aval sobre a compra.

"Vendemos tudo no Paraná, até nossas casas, para comprar as terras aqui", afirma o fazendeiro, que chegou em Baixa Grande do Ribeira em 1994. Aos 27 anos, ele, a mulher e os quatro irmãos começaram a saga pelo Piauí. Hoje Peteck tem 22 mil hectares de terra no Estado, onde planta soja, algodão, milho e sorgo. O patrimônio é cinco vezes maior que o do irmão que preferiu ficar no Paraná, orgulha-se o fazendeiro.

Até atingir esse patamar, entretanto, ele passou por muitos desafios. Um deles era a falta de infraestrutura da região. "Na época, só havia uma linha telefônica na cidade. Para conversar com meus familiares no Sul, ficava o dia inteiro numa fila para fazer duas ligações." Além disso, lembra Peteck, para chegar até a capital Teresina demorava-se 14 horas de viagem num trecho que não passaria de seis horas, se a estrada fosse boa. "Era um sofrimento, arrebentava os carros. Não sei quantos pneus e motores de carro perdi nesse caminho."

Outro problema foi conseguir convencer a mulher a trocar a qualidade de vida de Campo Mourão (PR) pela carência de Baixa Grande do Ribeiro. "Para nós, que trabalhávamos o dia inteiro na roça, era mais fácil. Para ela, era mais complicado. Nossas mulheres são umas heroínas." Peteck afirma que atualmente passa mais tempo em Balsas, no Maranhão. Mas, no mês que vem, deve se mudar para Teresina.

Esse é o caminho seguido por muitos fazendeiros da região. Foi o caso do paulista Marcos Cesar Jordão, que tem 2.700 hectares plantados no município de Ribeiro Gonçalves. Apesar de a fazenda estar a 577 km, Jordão mora em Teresina, onde há mais estrutura para a família. Fica cinco dias na fazenda e passa o fim de semana na capital piauiense. Esse também é o plano de Gregory Sanders, da Fazenda Progresso, em Uruçuí. Casado e com uma filha, Sanders conta que o preço do pioneirismo é caro. "Temos de abdicar de tudo", conta ele, que ainda mora na fazenda, em Uruçuí.

Com Altair Fianco, no entanto, tem sido diferente. Ele fincou raízes em Uruçuí e não pretende mudar tão cedo. "Se você estiver atrás de conforto, não vai conseguir morar aqui. Mas eu estou em busca de trabalho. Meu foco é esse."

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