Pequena empresa terá mais verba para pesquisa

Governo de São Paulo já tem linha de crédito de R$ 10 milhões para projetos de inovação

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

As micro e pequenas empresas passaram a receber mais apoio dos órgãos governamentais para pesquisa. Esse público ganhou uma nova ferramenta no início do mês, com o lançamento de uma linha de crédito de R$ 10 milhões para projetos de inovação e pesquisa tecnológica, por meio do Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcet), do governo do Estado de São Paulo. O programa segue a linha de um programa de apoio aos empreendimentos de menor porte lançado pelo governo federal no ano passado. Em 2008, as pequenas empresas foram atendidas com o lançamento do Programa Primeira Empresa Inovadora, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O período também marca o primeiro edital do programa Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que destina recursos para pesquisadores dentro das pequenas empresas. Atento a esse movimento, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) desenvolve um projeto-piloto para facilitar o acesso dos empresários a esses programa. O experimento está em curso no polo têxtil de Americana (SP), e deve orientar as empresas que queiram se inscrever na próxima etapa do RHAE, que será aberta em meados de julho. "A ideia é fazer esse acompanhamento com várias chamadas públicas e facilitar o acesso das pequenas empresas aos financiamentos", diz o analista de projetos do Sebrae, Tarso de Azevedo. Segundo Azevedo, antes dos programas específicos, as pequenas empresas já tinham a possibilidade de participar de editais mais amplos, como os de inovação da Finep, mas tinham poucas chances de conseguir os recursos. MODELOSNo programa do governo de São Paulo, o programa limita o crédito a R$ 200 mil, com um prazo de carência de até 24 meses. O pagamento pode ser feito em 36 vezes, com uma taxa de juros de 6% ao ano. O bem comprado, exceto equipamentos de informática, serve de garantia para a realização do empréstimo. No primeiro edital, serão selecionadas as propostas de empresas industriais e agrícolas, que necessitem de condições especiais de financiamento. No modelo de apoio do CNPq, o financiamento tem o período limite de 24 meses e valor máximo de R$ 300 mil, recursos que serão exclusivamente destinados ao pagamento dos bolsistas, a custo zero para a empresa. A entidade exige, no entanto, uma contrapartida da empresa equivalente a 20% do valor final do projeto, em equipamentos e estrutura a serem usados pelos pesquisadores. Ao todo, o programa vai destinar R$ 26 milhões ao longo do ano para as empresas, divididos igualmente em três etapas. "O objetivo é fazer uma ponte entre o empresário e instituto de tecnologia, fazer com que um pesquisador saia da academia e comece a trabalhar numa empresa", afirma o coordenador do programa de capacitação tecnológica e competitividade do CNPq, Cimei Borges Teixeira.Eduardo Silveira Figueiredo, dono da empresa de tecnologia de materiais Orbys, já obteve quatro bolsas de pesquisa do CNPq. Com os recursos, sua empresa pôde desenvolver borrachas sintéticas com a incorporação de nanopartículas de argila, uma maneira de mudar as propriedades das borrachas e multiplicar seus usos. Contemplado novamente no início do ano, Figueiredo pretende agora buscar novas aplicações para o material desenvolvido a partir da borracha natural. Segundo ele, o programa permite o intercâmbio entre funcionários e pesquisadores. "Você traz para a equipe profissionais com uma formação importante e até com experiência industrial", afirma. A indicação dos profissionais ocorre após a publicação do edital. As empresas vencedoras escolhem os profissionais, que terão de ser aprovados pelo CNPq. "Já contratamos pessoas do mercado e fizemos anúncios nas universidades", diz Figueiredo. Segundo Teixeira, as empresas também podem contratar profissionais graduados e estagiários. "Há o limite de um graduado e dois estagiários, para cada mestre ou doutor contratado pela empresa."

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