Pequenas construtoras são as menos pessimistas

O nível de atividade da construção civil e as expectativas dos empresários do setor encontram-se num dos mais baixos patamares da História recente. Mas as companhias de menor porte, quer atuem na construção de edifícios, em obras de infraestrutura ou serviços especializados, são menos pessimistas do que as médias e grandes empresas, revelou a Sondagem Indústria da Construção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita com 595 empresas no mês de novembro. O cenário adverso verificado ao longo dos últimos dois anos deverá continuar presente nos próximos seis meses.

O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 02h55

Os investimentos do setor da construção civil são relevantes para o nível de emprego e da atividade econômica. Por sua característica de longo prazo, implicam decisões mais difíceis de tomar numa conjuntura marcada por forte recessão e falta de perspectivas.

Só aos poucos as grandes empresas se ajustam à conjuntura, atraindo parceiros, vendendo participações em seu capital ou em outras empresas (como a venda da Alpargatas à J&S Investimentos pela Camargo Corrêa, anunciada há pouco) ou promovendo leilões de imóveis. Até as melhores e mais lucrativas construtoras concedem grandes descontos aos interessados em adquirir unidades em estoque.

Em outubro, segundo a CNI, o nível de atividade marcou apenas 36,7 pontos, ligeiramente acima de setembro (35,9 pontos), mas 6 pontos abaixo de outubro de 2014 e muito abaixo dos 50 pontos que separam o campo positivo do negativo. A atividade em relação à usual registrou 27,1 pontos, queda de 13,1 pontos em relação a outubro de 2014, e o número de empregados marcou 35,6 pontos. O dado é compatível com a demissão de quase 50 mil trabalhadores formais no mês passado.

As expectativas estão relacionadas à situação fiscal da União, dos Estados e municípios, que, com problemas de caixa, protelam investimentos em infraestrutura. A situação é ainda pior para as envolvidas na Operação Lava Jato. O crédito escasseia, com recuo de quase 30% (de R$ 93 bilhões para R$ 66 bilhões) nos empréstimos com recursos das cadernetas entre os primeiros dez meses de 2014 e 2015.

A situação menos ruim é a das pequenas empresas: houve melhora no uso da capacidade e as expectativas do nível de atividade indicam 43 pontos, ante apenas 37,1 pontos das grandes companhias. A recuperação deve passar pelas companhias de menor porte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.