Pequenas empresas terão até R$ 11,6 bilhões do BB

Banco descarta decisão política, nega risco de calote com a medida e afirma que pacote beneficia segmentos mais prejudicados pela crise

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 00h00

Pela sétima vez em menos de dois meses, o Banco do Brasil anunciou ontem mais uma medida para elevar a oferta de crédito. Dessa vez, aumentou o limite de crédito de 303 mil micro e pequenas empresas que terão até R$ 11,6 bilhões extras para o capital de giro. O juro para esse cliente também caiu. Apesar de a decisão estar alinhada com a recomendação feita pelo Palácio do Planalto para que bancos públicos ajudem a amenizar os efeitos da crise, a instituição diz que a medida é técnica e não gera aumento do risco de calote, nem prejuízo para o acionista.Desde que o novo presidente, Aldemir Bendine, tomou posse em 23 de abril, o BB tem anunciado praticamente uma nova medida de aumento do crédito a cada semana.A medida beneficia quase metade dos clientes desse segmento com faturamento anual de até R$ 15 milhões. Dos beneficiados, 61% atuam no comércio, 23% em serviços e 16% na indústria. O volume disponível para cada cliente cresce 20% . A mudança de critérios de avliação de risco permitiu que a medida fosse tomada. Foram beneficiadas empresas que têm relacionamento de pelo menos um ano com o BB e não estão inadimplentes. O dinheiro sairá do caixa do próprio banco e será oferecido em operações que contam com a garantia de recebíveis, como cheques pré-datados, compras no cartão de crédito, títulos e duplicatas. Nesse tipo de transação, o empresário entrega o que tem a receber no futuro e consegue à vista o dinheiro mediante pagamento de juro. "Na média, o empréstimo com recebível é menos arriscado. O risco global tende a se diluir porque esses financiamentos terão peso maior dentro da carteira", diz o vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco do BB, Ricardo Flores. Esse pacote deve beneficiar a comercialização no segundo semestre, época em que principalmente o varejo reforça os negócios com vistas às datas comemorativas, como o Natal. Nos juros, o BB reduziu ligeiramente as taxas. No capital de giro, por exemplo, o juro máximo passou de 2,37% para 2,35% ao mês. Nesse caso, Flores diz que o corte da Selic na semana passada e a diminuição do spread bancário - margem cobrada pelo banco - permitiram a queda. Flores rechaçou qualquer relação entre o anúncio e eventuais pressões políticas. "Não há decisão política. É uma decisão técnica, tanto que não foi decidida agora. Estamos mexendo nesse assunto há várias semanas", afirma. Há 20 dias, o banco tomou medida semelhante com o aumento do limite de crédito de 10 milhões de clientes pessoa física que passaram a contar com R$ 13 bilhões extras. "Percebemos que o movimento do BB mexeu com os concorrentes, que passaram a fazer o mesmo (na pessoa física). Agora, não sabemos se eles vão poder fazer o mesmo", afirma. O pacote tenta amenizar a situação das micro e pequenas, que sofreram com a crise no crédito. Com o aumento do risco, bancos de pequeno e médio porte - que têm forte participação nesse setor - passaram a ter muita dificuldade de captar recursos. Sem dinheiro novo, os empréstimos foram cortados e esses clientes tiveram de buscar financiamento em outros bancos como a Caixa e o próprio BB.

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