Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Quase metade das pequenas indústrias de SP enfrenta algum tipo de paralisação, aponta pesquisa

Aproximadamente um terço das micro e pequenas indústrias paulistas tinha clientes inadimplentes em dezembro

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2022 | 17h59

RIO – Duas em cada dez pequenas indústrias do estado de São Paulo chegaram ao fim do ano de 2021 com a maior parte de suas atividades paralisadas ou totalmente paradas. Além do aumento de custos e da dificuldade de obtenção de insumos, o empresário industrial ainda enfrenta dificuldades para receber pagamentos. Quase um terço (32%) das micro e pequenas indústrias paulistas tinham clientes inadimplentes em dezembro, segundo uma pesquisa do Sindicato da Micro e Pequena Indústria no Estado de São Paulo (Simpi), encomendada ao Datafolha e obtida com exclusividade pelo Broadcast.

No mês de dezembro, apenas 54% das micro e pequenas indústrias do Estado de São Paulo estavam funcionando normalmente. Os demais 46% enfrentavam algum tipo de paralisação na produção: 26% do total de indústrias operavam com uma pequena parte das atividades paradas, 17% funcionavam com a maior parte do parque fabril paralisado; e 3% estavam completamente parados.

“Nunca na pesquisa que começou em 2013 teve um período tão longo e tão continuado com um problema de elevação de custos da matéria-prima e dos insumos. Nunca teve um período tão longo, estamos falando em 12 meses desse cenário, de desabastecimento de matéria-prima e atraso na entrega”, ressaltou o presidente do Simpi, Joseph Couri.

O Índice de Custos das Micro e Pequenas Indústrias ficou em 73 pontos em dezembro de 2021, numa escala de 0 a 200 pontos. Quanto mais baixo o resultado, mais empresas atingidas por alta significativa de custos. Devido ao cenário de alta persistente de preços, o índice de custos terminou o ano de 2021 com uma média em 67 pontos, pior resultado já registrado desde 2013. Os sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica também prejudicaram o desempenho dos negócios: 71% das empresas relataram encarecimento significativo na conta de energia ao longo do ano passado.

“Esses aumentos de custos das empresas necessariamente impactarão preço de venda”, alertou Couri.

O executivo pondera que o momento é de queda na renda das famílias e perda de poder aquisitivo da população, o que afeta a demanda doméstica e limita a capacidade de as empresas industriais repassarem para os preços dos produtos essa alta nos custos de produção. Segundo Couri, essa dificuldade de reajustar preços para amenizar o impacto do encarecimento do processo produtivo coloca a retomada dos negócios industriais em risco.

“As empresas não têm capital de giro para passar o mês”, ressaltou o executivo.

A pesquisa mostrou que 44% das pequenas empresas industriais tinham capital de giro insuficiente em dezembro, enquanto 48% tinham recursos exatamente na medida necessária. Apenas 8% dos industriais relataram ter dinheiro sobrando no caixa da empresa.

Como resultado, muitos empresários precisaram recorrer ao crédito caro: 16% apelaram ao cheque especial como fonte de recursos para o capital de giro entre novembro e dezembro, 7% pegaram empréstimo corporativo e 3% tiveram que recorrer a um empréstimo pessoal.

Segundo Couri, a pesquisa mostra os empresários industriais mais otimistas em relação a 2022, mas pondera que o ano ainda deve ser “desafiador” sob diferentes aspectos, tanto políticos quanto econômicos.

A coleta de dados da pesquisa ocorreu de 10 a 20 dezembro de 2021. O Simpi calcula que 42% das micro e pequenas indústrias brasileiras estão localizadas no estado de São Paulo.

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