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Pequenas minas se defendem da onda de fusões

Minerita e MBL negociam com o governo mineiro e grandes companhias a criação de um pólo siderúrgico

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2025 | 00h00

A nova onda de consolidação de empresas no Quadrilátero Ferrífero, região rica em minério de ferro em Minas Gerais, gerou uma reação entre as pequenas companhias locais. A Minerita e a MBL, duas representantes desse grupo que, juntas, possuem em reservas de minério de ferro mais de 400 milhões de toneladas, negociam com o governo estadual e com grandes companhias, como a Votorantim, a instalação de um pólo siderúrgico para industrializar o minério de ferro.''''A aquisição de mineradoras é um bom negócio para as grandes, mas não é bom para Minas Gerais. O minério daqui vai gerar emprego em outras regiões'''', diz Marco Antônio Antunes, diretor de logística da Minerita e membro da Associação dos Mineradores da Serra Azul (Amisa).A reação do setor ganhou força com as últimas aquisições promovidas por grandes companhias. A London Mining, uma empresa formada por investidores internacionais com negócios na Groenlândia e em Serra Leoa, comprou a Minas Itatiaiuçu, uma mineradora média com uma reserva de 220 milhões de toneladas na região da Serra Azul.Em seguida, a associação entre as empresas Anglo American e MMX (companhia controlada pelo empresário Eike Batista) adquiriu a AVG Mineração por US$ 275 milhões. Na segunda-feira, foi a vez da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciar a compra do controle da Companhia de Fomento Mineral (CFM) por US$ 440 milhões. Há outras negociações em curso. Segundo fontes, a J. Mendes, outra representante do setor em Minas Gerais, também é alvo de aquisição.TENTATIVAO projeto da Minerita e da MBL consiste na criação de dois novos sistemas logísticos, com as operadoras ferroviárias MRS e FCA, para o escoamento do minério de ferro e de produtos siderúrgicos. Além disso, as duas mineradoras negociam com a Votorantim a instalação de quatro altos-fornos para a produção de ferro-gusa. A capacidade total das quatro unidades seria superior a 760 mil toneladas por ano. Procurada, a Votorantim não comentou a proposta.A idéia da Minerita e da MBL inclui uma aciaria para a produção de aço e uma laminadora. ''''A produção de aço estimada no projeto seria de 800 mil toneladas por ano. É um negócio viável e que poderia gerar mais de 4 mil empregos diretos na região'''', explica Antunes.O investimento global na estrutura seria de R$ 800 milhões. É uma forma, segundo ele, de frear a ofensiva das grandes companhias e criar um parque siderúrgico para agregar valor ao minério de Minas Gerais. ''''Se o projeto não der certo, dificilmente essas mineradoras vão conseguir se defender das ofertas de compra das gigantes'''', explica Antunes.As empresas estão pagando mais de US$ 80 por tonelada de reserva de minério de ferro, um valor considerado elevado pelo mercado. O preço da tonelada do minério atualmente no mercado internacional é de US$ 43.

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