Pequenas produtoras ganham dinheiro no YouTube

THE NEW YORK TIMES

Claire Cain Miller, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

Era um estúdio de cinema profissional, apesar de os atores insistirem em estragar a cena ao rirem do astro, que se debatia diante de uma tela verde, fingindo ser devorado vivo. "Precisamos de uma tomada mais limpa", disse o técnico de som. Eles gravaram mais uma vez, os atores contendo a histeria até que as câmeras fossem desligadas.

A cena, um episódio de um programa humorístico chamado AsKassem, não era destinado ao cinema e nem à TV: ele seria exibido no YouTube. Mas, com a tela verde, a equipe de técnicos, os atores e as consideráveis despesas com o aluguel de câmeras e luzes, o programa vai muito além dos típicos vídeos de produção individual gravados no porão de casa apenas com uma webcam, tão comuns neste site.

O AsKassem é obra do Maker Studios, uma das muitas produtoras que surgiram para ajudar a criar e distribuir vídeos na rede. Financiados por capitalistas investidores e por recursos cedidos pelo YouTube, do Google, esses estúdios tentam desempenhar para os serviços de vídeo online o mesmo papel assumido pela United Artists há quase 100 anos na distribuição dos filmes e também aquele assumido pela MTV em relação à televisão nos anos 80.

"Estamos falando de uma nova geração de estúdios, gente que está crescendo com um trabalho amador e que decidiu juntar forças e formar essas redes", disse Hunter Walk, diretor de gestão de produtos do YouTube. "Sob muitos aspectos, são como as primeiras emissoras a cabo de 30 anos atrás."

Trata-se de uma importante mudança na estratégia do Google para o YouTube. O Google decidiu participar muito mais e ajudar na criação de conteúdo original para o site ao alimentar esses estúdios, pois a aposta em conteúdo profissional produzido por estúdios já consagrados no cinema e na TV não produziu os resultados esperados. O YouTube precisa muito de mais conteúdo de alta qualidade para concorrer com serviços que oferecem vídeo via streaming, como o Netflix e o Hulu, na disputa por espectadores e anunciantes.

Lucro. Alguns criadores de vídeos para o YouTube têm ganhado dinheiro nos últimos anos. Mas, conforme a popularidade do site aumentou vertiginosamente, os criadores podem enfrentar dificuldades para consolidar canais com uma audiência regular, fugindo da fórmula do sucesso solitário das peças virais.

As produtoras iniciantes - entre elas o Maker Studio, Machinima, Mahalo, Vuguru e Next View Networks (essa última comprada recentemente pelo próprio YouTube) - tentam ajudar os diretores.

Elas escolhem os videomakers mais talentosos e os ajudam a produzir vídeos oferecendo-lhes o figurino, as câmeras e os recursos financeiros necessários. Ajudam também a consolidar a audiência por meio de estratégias como a distribuição de links para esses vídeos inseridos em outros conteúdos populares na mesma rede.

O YouTube, por sua vez, vende espaço aos anunciantes e partilha o lucro obtido com essas empresas e os criadores dos vídeos. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Auxílio

O YouTube sustenta esses empreendimentos com a renda dos anunciantes, com auxílio nas questões relativas a copyright e também com investimentos.

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