Pequenas reformas dariam eficiência ao País, diz economista

Para Bráulio Borges, em até dois anos País estaria melhor se tributação e excesso de burocracia fossem atacados 

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2011 | 16h37

Só com reformas microeconômicas, atacando pontos importantes, como tributação e excesso de burocracia, seria possível melhorar a competitividade brasileira num prazo relativamente curto, de um a dois anos, avalia o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

"A agenda microeconômica, embora alguns desprezem, tem de ser retomada porque ela pode aumentar rapidamente a eficiência do País. São coisas relativamente fáceis de serem implementadas", afirma.

Para diminuir o custo de exportação de um container, hoje de US$ 1.790 no Brasil ante US$ 465 na média de 131 países, por exemplo, Borges diz que não é preciso construir novos portos necessariamente, mas melhorar a eficiência dos já existentes e fazer novas concessões. O mesmo raciocínio, diz ele, é válido para o tempo gasto no pagamento de impostos e na aprovação de licenças, por exemplo.

Marcelo Paludetto, gerente comercial da Democrata, fabricante de calçados masculinos de Franca (SP), conta que, no último ano, aumentou em 20% o custo de levar a mercadoria exportada do interior do Estado de São Paulo para o Porto de Santos (SP). "É claro que houve aumento nos preços dos combustíveis nesse período. Mas uma boa parte do reajuste reflete a falta de estrutura do porto, com os caminhões em fila de espera para descarregar a mercadoria."

Outra alta de custo registrada nesse período, de 40%, decorre da movimentação da mercadoria do armazém até o navio. Essa despesa aumentou porque os navios estão esperando mais tempo para atracar no porto.

O executivo pondera que essa elevação de custo de logística representa pouco, cerca de 2% no custo total. Mas, num contexto de câmbio desfavorável à exportação, com o real valorizado, piora a competitividade do produto brasileiro no exterior. "Os 2% de aumento de custo de logística deixam o sapato em dólar 10% mais caro para o consumidor."

Borges observa que, se a logística fosse melhorada, o câmbio certamente seria um problema menor para a indústria, que hoje sofre com a concorrência dos importados.

Infraestrutura. Borges observa que os investimentos em infraestrutura são necessários, mas o efeito para ampliar a competitividade ocorre num prazo mais longo, em cinco anos ou mais.

Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), observa que até 2015, serão aplicados no setor R$ 922 bilhões, considerando gastos com Copa do Mundo e Olimpíada, o plano inicial de investimentos da Petrobrás e excluindo o que será gasto com o Trem da Alta Velocidade.

Na opinião de Godoy, o maior desafio da próxima década será melhorar a eficiência das instituições e criar regras estáveis, isto é, "organizar a casa" para que os projetos deslanchem.

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