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Pequenas vinícolas se unem para enfrentar a concorrência

Ao criar uma central única de compras, 16 empresas baixam custos em 10%

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

Responsáveis por uma das atividades mais charmosas da economia do Rio Grande de Sul, as pequenas vinícolas da Serra Gaúcha assistiram inertes, no início da década, à invasão dos importados no mercado nacional. Agora, tentam recuperar o espaço perdido. Organizados em associações, pequenos produtores de vinho estão conseguindo reduzir custos e diversificar a produção, para ganhar fôlego na disputa com as grandes vinícolas e os importados.Em Flores da Cunha (RS), cidade em que prevalece a produção artesanal e familiar de vinho, um grupo de 16 empresas criou a Associação Gaúcha de Engarrafadores de Vinhos (Agevin). Há um ano, a organização funciona como uma espécie de central de compras para auxiliar os produtores, que têm pouco poder de fogo no mercado, a obter produtos como garrafas ou barris a preços melhores do que conseguiriam se negociassem sozinhos. Segundo o presidente da Agevin, Neimar Godinho, a associação já negociou com fornecedores preços de rolhas, caixas e garrafas, chegando à redução de 10% no custo final do produto.A diretora-comercial da vinícola União Vinhos do Rio Grande, Cristiane Passarin, estima que a economia nos custos de produção tenha sido de 20%, após as negociações conjuntas. ''''Como estratégia, repassei essa margem economizada para o preço do produto, aumentando o volume de vendas'''', conta ela, que administra a vinícola da família, em atividade desde 1946.A menor chance de barganha na compra de insumos é um dos principais entraves para a competitividade das pequenas vinícolas, avalia o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas. Isso ocorre porque elas compram em quantidades muito pequenas, se comparadas com as grandes produtoras do País. ''''Enxugar custos pode ser uma forma de tentar fazer frente à pressão dos importados.''''De acordo com o consultor de vitivinicultura do Sebrae-RS, Gabriel Nunes Oliveira, as pequenas vinícolas foram as que mais sofreram com a chegada dos importados ao mercado nacional. ''''Elas não têm a capilaridade das grandes vinícolas para poder distribuir bem e competir com os importados.'''' Dados da Embrapa Uva e Vinho mostram que, em 2001, 52% dos vinhos finos consumidos no Brasil eram importados. Cinco anos depois, o importado avançou ainda mais, chegando a 68% das vendas.Nesse novo cenário, a união de forças é uma saída para os pequenos produtores. ''''A associação serve como instrumento para aumentar a competitividade'''', afirma Oliveira. Segundo ele, somente no Rio Grande do Sul, que concentra 90% da produção nacional de vinhos, já existem 17 organizações de pequenos produtores empenhados em recuperar espaço no mercado brasileiro.CHAMPANHERIACriada em 2005, a Associação dos Produtores de Vinho de Monte Belo do Sul (Aprobelo) é uma dessas organizações. Na região, considerada a maior exportadora de uvas para espumantes do País, 12 pequenos produtores buscavam uma alternativa de industrialização para as uvas, já que, até então, nenhuma gota da bebida era fabricada no município. Uma parceria com a Embrapa Uva e Vinho - que colocou à disposição centro de pesquisa e estrutura industrial - permitiu que começassem a fabricar o produto.No primeiro ano de atuação, a champanheria produziu cerca de 15 mil garrafas e as vendas alcançaram R$ 1,2 milhão. ''''Apenas com a venda das uvas, esse valor chegaria a no máximo R$ 125 mil - um ganho de produtividade de 650%'''', diz Oliveira.Na safra deste ano, onze vinícolas estão participando do projeto. Elas estimam a produção de 29,8 mil garrafas - um crescimento de 18,75% em relação a 2006.Também em conjunto, os pequenos produtores de Monte Belo do Sul acabam de comprar um equipamento que permitirá produzir a bebida por conta própria a partir do ano que vem. O preço do equipamento, de R$ 1,8 milhão, foi dividido entre dez produtores.''''Se cada um montasse uma estrutura individual, sairia o dobro do preço'''', afirma o produtor Antoninho Calza, da vinícola Calza. A expectativa, segundo ele, é atingir a produção de 600 mil garrafas ao ano.

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