DANIEL EIXEIRA/ESTADAO
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Percepção de investidor internacional sobre Brasil é a pior possível, avalia Fibria

Presidente da companhia de celulose, Marcelo Castelli, alega que as condições de ambiente de negócios estão deterioradas e têm impactado a captação de dinheiro estrangeiro pelas empresas brasileiras

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2016 | 12h15

São Paulo - A percepção ruim de investidores internacionais da imagem do Brasil afeta a captação de recursos por empresas brasileiras, na avaliação do presidente da Fibria, Marcelo Castelli. Ele participa de debate promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP).

"A percepção do país em relação a investidores internacionais é a pior possível", disse ele. "Os alocadores de capital têm que tirar dinheiro de qualquer empresa brasileira, por melhor que ela seja, porque o País perdeu o investiment grade e as condições do ambiente de negócios estão deterioradas", avaliou. Para o executivo, a resposta do setor privado deve ser demonstrar regras rígidas de governança.

Castelli considerou que há um interesse do capital especulativo em vir ao Brasil por conta da taxa básica de juros do País se manter em patamares altos num cenário de juros negativos em outras partes do mundo. Ainda assim, ele avaliou que o maior risco neste ambiente é o de esse capital especulativo deixar o país sem que haja num futuro breve atração para investimentos no setor produtivo.

"Esse dinheiro não tem que sair daqui, tem que mudar, tem que ir pro capital produtivo, essa é minha maior preocupação", comentou. "A taxa de juros que nós pagamos é absolutamente importante para a inflação voltar pra baixo, mas, se ela ficar por muito tempo, vai haver um sangramento em relação a recursos que estão emanando para o capital especulativo", avaliou.

Para o executivo, o Brasil precisa dar sinais positivos para o mundo em busca de uma retomada de confiança. Na avaliação dele, a retomada dos investimentos tende a ser rápida se houver essa confiança. 

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