Felipe Rau/Estadão
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Percepção negativa do Brasil no exterior deve crescer com a crise do coronavírus, mostra índice

Análise voltada para empresários e investidores do que sai na imprensa estrangeira deve ser impactada pela condução do governo na crise

Bruno Romani, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2020 | 05h00

A crise do coronavírus deve deteriorar a imagem do Brasil no exterior, freando um lento movimento de melhora apresentado nos últimos anos. A conclusão é da Imagem Corporativa, consultoria em comunicação que mantém um índice anual sobre a percepção do País na imprensa estrangeira. 

“A imprensa internacional tem sido muito objetiva em mostrar a falta de uma política integrada governo federal-governos estaduais e prefeituras em termos de combate à doença, ao distanciamento social e medidas preventivas”, diz Ciro Dias Reis, presidente da consultoria. 

A consultoria trabalha com empresas nacionais que desejam exportar e com empresas e investidores estrangeiros interessados no Brasil - segundo Reis, a ideia é que o índice possa auxiliar na realização de negócios. 

Há dois anos, ele é realizado em parceria com o Grady College, da universidade da Geórgia (EUA). Ele é feito utilizando uma inteligência artificial (IA), que varre veículos de 11 países (EUA, Inglaterra, China, Argentina, Canadá, China, Japão, Alemanha, França, Itália e Índia) e determina a porcentagem de notícias positivas e negativas sobre o País. 

Em 2010, a percepção sobre o Brasil teve o seu melhor ano: 81% do que foi publicado foi positivo. Isso começa a se reverter em 2013 e atinge o pior ano em 2016, quando apenas 19% do que foi publicado era positivo. A empresa aguarda os números do período entre janeiro e abril deste ano, mas a expectativa é de erosão - em 2019, o índice registrou 37% de notícias positivas. 

“O Brasil vinha em pequeno movimento de alta, mas a cobertura internacional de coronavírus tem sido impiedosa. Ela vem registrando a expansão da doença e o agravamento do números de infectados e de mortes, além da falta de condições adequadas do sistema brasileiro de saúde, com carência de infraestrutura hospitalar e equipamentos”, diz Reis. "Agora também terá a repercussão do vídeo da reunião ministerial", diz.

“A nossa análise é muito fria em relação a governos, e se baseia inclusive em publicações econômicas, como Financial Times, Wall Street Journal, Lés Echo e The Economist. E leva em conta todo ecossistema: impacto na econômia, emprego e até a dificuldade da produção de minério de ferro”, explica. 

Segundo ele, o Brasil ainda interessa para investidores estrangeiros, mas o volume de notícias negativas tem feito com que tentem entender se a aparente falta de rumo persistirá no médio e no longo prazo.  

 

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