Perda com ações soma hoje R$ 462 milhões

BNDES trocou debêntures da MPX Energia por ações da CCX, que na semana passada valiam R$ 0,80

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h04

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve, até o momento, um prejuízo milionário em duas operações financeiras de apoio a empresas do grupo EBX, de Eike Batista. Documentos obtidos pelo Estado e esclarecimentos feitos pelo BNDES indicam que a perda, hoje, é de R$ 462 milhões, ou 54% do que foi alocado por meio de ações e debêntures (títulos de dívida).

O maior prejuízo ocorreu numa operação de debêntures iniciada em julho de 2011 com a compra de R$ 676 milhões em títulos de dívida da MPX Energia, com remuneração anual de 4%. Em maio de 2012, o BNDES trocou os papéis por ações da companhia de energia e da CCX, que atua na área de carvão mineral. A troca ocorreu após a MPX oferecer um prêmio de R$ 36,8 milhões para a conversão dos debêntures em ações, mas a medida fez com que o banco de fomento só tenha recebido juros até a data dessa operação.

Perdas. As ações das duas companhias, porém, acumulam perdas significativas. Segundo o BNDES, foi pago R$ 10,59 por cada ação. No pregão da última quinta a MPX fechou cotada a R$ 7,25, enquanto a ação da CCX valia R$ 0,80.

Descontando o prêmio recebido na troca das debêntures e os juros recebidos naquela ocasião, o BNDES terá um prejuízo de R$ 360,6 milhões apenas nesta operação se decidir se desfazer imediatamente da participação acionária. Além do prêmio, o banco justificou a escolha pela troca porque, como sócio, poderia ter ter voz sobre o destino da companhia ao participar das assembleias de acionistas.

Outra operação com o grupo também registra prejuízo milionário. Em dezembro de 2007, o banco investiu R$ 179,1 milhões em ações da MPX Energia no processo de IPO (abertura de capital). Desde então, levando-se em conta dois desdobramentos de ações informados pelo BNDES, o montante de papéis em poder do banco chegaria a R$ 77,4 milhões na cotação de quinta-feira, uma perda de R$ 101,7 milhões. Em relação à compra no IPO, o BNDES disse apenas que não se pode compará-las com o preço atual.

Os documentos do BNDES chegaram ao Congresso em maio atendendo a pedido do deputado César Colnago (PSDB-ES). O banco não informou a dívida atual do grupo com a instituição, alegando que a informação é sigilosa. Colnago, porém, cobra explicações. "O governo precisa esclarecer quais os ganhos do País com este privilégio. É preciso investigar quais interesses há por trás destes negócios, que parecem de pai para filho." / E.B.

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